Discurso de Trump no Congresso deixou claro que ele esconde alguma coisa sobre a Ucrânia

Se há uma coisa que aprendi no jornalismo é: quando você não chama as coisas pelos seus verdadeiros nomes, geralmente há um motivo — você está escondendo alguma motivação

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Foto do autor Thomas Friedman
Por Thomas Friedman (The New York Times)
Atualização:

Sempre que Donald Trump fala sobre a Ucrânia, há algo deslocado, algo faltando, e isso faz você se perguntar o que ele realmente pretende — e seus breves comentários sobre a Ucrânia para a sessão conjunta do Congresso na terça-feira à noite não foram exceção.

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Ele exagerou de forma absurda o quanto os EUA contribuíram para o esforço de guerra da Ucrânia em comparação com o que nossos aliados europeus deram.

Quando falou sobre o custo humano da guerra, primeiro lamentou pelos “jovens russos” e depois pelos “jovens ucranianos” — como se ambos tivessem sido atingidos por um meteoro, um após o outro. E declarou ter recebido “sinais fortes” de Vladimir Putin de que ele quer paz, mas não ofereceu detalhes.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entra na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, em Washington  Foto: Win Mcnamee/AFP

Se há uma coisa que aprendi no jornalismo é: quando você não chama as coisas pelos seus verdadeiros nomes, geralmente há um motivo — você está escondendo algo, alguma motivação, alguma intenção.

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Como explicar isso no caso de Trump? Bem, ou ele é o negociador ocidental mais complacente contra os inimigos da liberdade desde Neville Chamberlain, fazendo concessões ao agressor antes mesmo de as conversas terem começado, ou ele realmente prefere a amizade de Putin aos nossos aliados europeus e aos corajosos democratas ucranianos.

Porque agora o governo Trump está se comportando de maneiras que incomodam muitos americanos patriotas — apunhalando pelas costas uma nação em luta pela liberdade, a Ucrânia, cortando seus vitais fornecimentos de armas dos EUA e tentando extorquir seus minerais, antes mesmo de a Rússia ter concordado com um cessar-fogo.

Imagine que Trump estava tentando vender uma Trump Tower a um russo — vamos chamá-lo de Vladimir — e Trump trouxe seu banqueiro. O que Trump pensaria se, antes de a negociação começar, seu banqueiro proclamasse: “Donald, você não tem cartas, acabamos de cortar sua linha de crédito, e antes mesmo de deixarmos você começar a negociar para vender este prédio, você precisa tirar uma segunda hipoteca sobre ele e me dar todo o dinheiro.”

Veja na íntegra a briga entre Donald Trump e Volodmir Zelenski na Casa Branca

Em frente à imprensa, presidente americano chamou ucraniano de ingrato e desrespeitoso.

Isso é exatamente o que Trump fez com Volodmir Zelenski. Algo não cheira bem nesta história. Não sei onde termina, mas sei onde começa: Quando se trata da defesa da liberdade, o Presidente Trump não compartilha os valores dos melhores de seus 44 antecessores. E se isso estiver correto, os ucranianos, no final, nunca comprarão o que Trump está vendendo. Nossos aliados europeus também não.

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Só Putin talvez compre, mas, como Trump disse em seu discurso, para fazer a paz, “Você tem que falar com ambos os lados.” Ele se referia a Putin, mas Trump deveria realmente começar com nossos próprios aliados. Eles são os que não o entendem. Putin entende.

Opinião por Thomas Friedman

é colunista de assuntos internacionais do The New York Times e ganhador de três prêmios Pulitzer. É autor de sete livros, entre eles 'De Beirute a Jerusalém', que venceu o Prêmio Nacional do Livro