Após vitória de Bukele, esquerda de El Salvador anuncia ‘reorganização total’

No último domingo, aliados de líder de direita, que já controla o Congresso, saíram vitoriosos em 43 dos 44 conselhos municipais

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Por Redação

A antiga guerrilha de esquerda de El Salvador anunciou, na segunda-feira, 4, uma “reorganização total” como resposta à conquista do último elo de poder do presidente reeleito do país, Nayib Bukele. O líder de direita, que também controla o Congresso, celebrou a vitória de seus aliados em 43 dos 44 conselhos municipais, nas eleições organizadas no último domingo, 3.

“Depois destes resultados deve haver um novo começo, uma reorganização total de nosso projeto político, olhando para o futuro”, declarou o secretário-geral da Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN), Óscar Ortiz, em coletiva de imprensa.

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No dia 4 de fevereiro, nas eleições presidenciais do país, Bukele foi reeleito com 84,65% dos votos, enquanto o candidato do FMLN, Manuel Flores, obteve apenas 6,5%. O partido Novas Ideias, de Bukele, ganhou 54 das 60 cadeiras do Congresso.

Com 90% das cadeiras no Congresso conquistadas, Bukele tem votos suficientes para aprovar facilmente qualquer projeto de lei, definir juízes do Supremo Tribunal e o procurador-geral e manter o estado de exceção com o qual combate as gangues desde há dois anos.

Presidente de El Salvador, Nayib Bukele, com a esposa Gabriela Rodriguez, depois de votar na disputa municipal, na qual seus aliados saíram vitoriosos em 43 dos 44 conselhos. Foto: MARVIN RECINOS/AFP

“Os resultados não têm sido os mais favoráveis para nós, em termos de ganhar formalmente prefeitos ou conselheiros”, reconheceu Ortiz, do FMLN. A renovação passará por “estabelecer novas formas de trabalho, de organização e de como vincular” com os distintos setores, assegurou.

É como planejar um novo começo, cada crise deve ser encarada como uma oportunidade, este não é o fim, é o encerramento de uma etapa, é o fechamento de um período, e precisamos iniciar outro, esta esquerda tem que se repensar e repensar sua conexão com o povo salvadorenho”, destacou.

Após o fim de 12 anos de guerra civil em 1992, o FMLN se desmobilizou e se transformou em um partido político. Contudo, desde 2016, enfrenta um desgaste pelos processos judiciais por corrupção contra dois ex-presidentes salvadorenhos desse partido, Mauricio Funes (2009-2014) e Salvador Sánchez Cerén (2014-2019)./AFP.

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