Estrangeiros começam a deixar Gaza, mas brasileiros não estão inclusos na lista

Primeiro grupo de cerca de 90 feridos e 450 estrangeiros começou a atravessar a fronteira com o Egito na manhã desta quarta-feira, 1

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Por Redação
Atualização:

Dezenas de estrangeiros e cidadãos palestinos com dupla cidadania começaram a deixar a Faixa de Gaza e atravessam para o Egito pela passagem de Rafah na manhã desta quarta-feira, 1, após autoridade fronteiriça do Hamas divulgar lista de cerca de 500 nomes, e pedirem que se apresentassem nesta manhã. É a primeira vez que fronteira é aberta para saída de pessoas desde o início do conflito entre Israel e Hamas, mas brasileiros não foram incluídos na listagem.

A autorização partiu de um acordo mediado pelo Catar com Israel, Egito e o Hamas. A abertura excepcional liberou cerca de 90 feridos e 450 estrangeiros, conforme afirmaram autoridades egípcias. Na lista, estão pessoas com passaportes da Austrália, Áustria, Bulgária, República Tcheca, Finlândia, Indonésia, Japão e Jordânia. Os membros da equipe de organizações de ajuda humanitária, incluindo os Médicos Sem Fronteiras, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e a UNRWA, também estão na lista.

Pessoas atravessam um portão para entrar na passagem de fronteira de Rafah para o Egito, no sul da Faixa de Gaza, nesta quarta-feira, 1º; dezenas de portadores de passaportes estrangeiros presos em Gaza começaram a deixar o território palestino, após abrir pela primeira vez desde os ataques do Hamas em 7 de outubro. Foto: MOHAMMED ABED / AFP

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Na terça-feira, a autoridade disse que o Egito concordou em receber 81 feridos de Gaza na quarta-feira, ecoando relatos da mídia estatal egípcia.

A passagem de Rafah é a única ligação da faixa que Israel não controla. O Egito, que supervisiona a travessia, recusou-se a abri-la aos civis, alertando que um afluxo de refugiados palestinianos poderia desestabilizar a região. O encerramento da passagem de Rafah deixou milhares de cidadãos estrangeiros e palestinos com dupla nacionalidade presos na zona de guerra.

No início da manhã desta quarta dezenas de ambulâncias começaram a se deslocar do Egito pelo posto de fronteira de Rafah para buscar palestinos feridos em Gaza, informou a televisão estatal egípcia. Imagens transmitidas pelo Qahera News, um canal estatal, mostraram uma fileira de ambulâncias amarelas alinhadas do lado de fora do portão da fronteira. Segundo a televisão estatal egípcia, 81 palestinos serão levados para hospitais no Egito, em um processo facilitado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Ambulâncias egípcias que transportarão pessoas gravemente feridas passam pela passagem de Rafah pelo lado egípcio, em meio ao conflito em curso entre Israel e o grupo islâmico palestino Hamas, em Rafah, Egito, em 1º de novembro de 2023. Foto: Stringer/ REUTERS

Gaza é novamente atingida por uma interrupção quase total das comunicações

A Faixa de Gaza sofreu outra grande interrupção das linhas de comunicação e internet na manhã de quarta-feira, horário local, conforme o grupo de monitoramento de segurança cibernética Netblocks.

“O incidente é consistente com a perda de serviço na sexta-feira e será provavelmente sentido pela maioria dos residentes como uma perda total ou quase total das comunicações”, disse o diretor de pesquisa da Netblocks, Isik Mater, ao The Washington Post por e-mail.

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A PalTel, principal provedora de telecomunicações em Gaza, disse nas mídias sociais que os serviços de comunicação e internet foram completamente interrompidos “devido às rotas internacionais reconectadas anteriormente terem sido cortadas novamente”.

Palestinos deslocados em Khan Younis tentam usar seus telefones para acessar a internet. Foto: Loay Ayyoub / For The Washington Post

A Jawwal, outro grande provedor e uma subsidiária da Paltel, também informou em sua página do Facebook que seus serviços foram interrompidos.

No fim de semana, o enclave densamente povoado, com mais de 2 milhões de pessoas, sofreu um apagão quase total nas comunicações, prejudicando os esforços de resgate e a entrega de ajuda.

Uma autoridade sênior dos EUA disse ao The Post no domingo que Israel havia desligado as comunicações em Gaza e que os Estados Unidos haviam pressionado o governo a religá-las. “Deixamos claro que elas precisavam ser religadas”, disse a autoridade, que falou sob condição de anonimato para discutir negociações delicadas.

A Casa Branca, em um tweet na segunda-feira, disse que havia trabalhado para restaurar as comunicações em Gaza.

“Os trabalhadores humanitários, civis e jornalistas precisam ser capazes de se comunicar uns com os outros e com o resto do mundo”, disse./W.POST, AFP e NYT

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