O ex-presidente da Bolívia Evo Morales anunciou nesta quinta-feira, 20, sua candidatura para as eleições presidenciais de agosto, apesar de estar impedido de disputar o cargo por uma decisão da Justiça que estabeleceu o limite de dois mandatos no país.
O líder indígena afirmou durante uma entrevista coletiva que vai disputar as eleições fora do Movimento ao Socialismo (MAS), partido governante que liderou por décadas e que está dividido entre ele e o atual presidente do país, Luis Arce, antigo aliado com quem rompeu numa disputa pela liderança da esquerda.

“Já temos partido para participar das eleições deste ano (...) Agora, com a Frente para a Vitória, vamos vencer novamente as eleições nacionais”, declarou Evo na região produtora de coca do Chapare, seu reduto político no departamento de Cochabamba.
A Frente para a Vitória, um pequeno grupo de esquerda sem representação no parlamento boliviano, assinou um acordo com Evo para lançá-lo como seu “candidato único”. “Assumimos este compromisso de levar adiante o nosso país, que está indo à falência”, disse Eusebio Rodriguez, líder da Frente.
Evo assumiu o poder em 2006 e governou até 2019, após duas reeleições. No fim de 2024, a Justiça constitucional ratificou uma decisão que o impede de se candidatar, argumentando que nenhum boliviano pode exercer mais de dois mandatos presidenciais.
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Desde dezembro, ele também é alvo de um mandado de prisão, por não ter comparecido a uma audiência judicial sobre o suposto caso de abuso de uma menor de 15 anos com quem ele teria tido uma filha quando era presidente. Ainda segunda a denúncia, os pais da menina consentiram com a relação em troca de benefícios.
Ele também teve os bens congelados e foi proibido de deixar o país depois que faltou à audiência de medidas cautelares, alegando problemas de saúde. O ex-presidente rejeita as alegações.
O Ministério Público acusa Morales do crime de tráfico. Desde então, o ex-chefe de Estado permanece protegido por apoiadores no Trópico de Cochabamba, e diz ser vítima de “uma perseguição judicial” orquestrada pelo governo de Arce para tirá-lo da da disputa eleitoral.
Em janeiro, durante uma cerimônia do 16º aniversário da Constituição, Arce afirmou que a esquerda governista disputará a presidência com “uma direita e uma ultradireita”.
Durante a cerimônia pública na sede presidencial, Acre não se referiu à sua provável candidatura à reeleição, que é apoiada por um setor do MAS que se opõe à ala que apoia Evo Morales./AFP.



