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Falta de testes e subnotificação preocupam autoridades sobre coronavírus na Africa

Velocidade dos testes não está sendo realizada da maneira ideal

Por Paulo Beraldo
Atualização:

Líderes da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o continente africano e especialistas locais manifestaram preocupação com a possibilidade de haver subnotificação nos casos de coronavírus na região. No continente, há cerca de 2.748 casos de coronavírus em 44 nações - cerca de 1% do total mundial. Em 182 países, são 481.230, de acordo com uma contagem da agência de notícias AFP

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Questionadas, as autoridades responderam que a velocidade dos testes não está sendo realizada da maneira ideal, mas que as nações estão desenvolvendo e ampliando sua capacidade de testagem. "É verdade que existe uma escassez global de kits de testagem e os países estão desesperados buscando isso. Mas sabemos que centenas de pessoas que tiveram sintomas foram testadas e muitas descartadas", disse a diretora regional da OMS para a África, Matshidiso Moeti. "Não acredito que exista muita gente não detectada com o vírus", disse. 

Para John Nkengasong, diretor dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças, não há subnotificação deliberada. "Estamos vendo um compromisso político para fazer a coisa certa. Mas é possível que tenhamos casos não identificados". O continente de 1,2 bilhão de pessoas está identificando cerca de 300 casos por dia. 

Agente da saúde no Marrocos desinfeta morador e um cachorro em Rabat Foto: FADEL SENNA / AFP

As autoridades recomendaram ainda que a maior parte dos países adotem medidas como o isolamento e o distanciamento social para evitar o avanço da pandemia. Hoje, em mais da metade dos países do continente há apenas casos importados, sem transmissão local. "Por isso, isolar, ver com quem a pessoa teve contato, faz a diferença. Medidas como fechamento de fronteiras e cancelamento de voos precisam ser acompanhadas por intervenções e melhorais no sistema de saúde pública. Espero que essas medidas se expandam". 

As autoridades recomendaram ainda o estabelecimento de corredores humanitários para garantir o fornecimento de alimentos, equipamentos e de pessoas. O professor adjunto da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland, Samba Sow, afirmou que o confinamento é o melhor método para acabar com a transmissão de pessoa para pessoa, como recomenda a OMS.

"É o que permitiu à China frear a doença", afirmou. "Mas no contexto africano isso não é fácil. É preciso levar em conta os aspectos econômicos e sociais", reconheceu, lembrando que muitas pessoas vivem de trabalho informal, como pequenos comerciantes e agricultores. "Será preciso cooperação e solidariedade". 

Autoridades também manifestam preocupação com superpopulação de cidades africanas Foto: JOHN WESSELS / AFP

Sow reafirmou que na melhor das hipóteses uma vacina contra o coronavírus estará disponível dentro de 12 ou 18 meses. "Os países precisam estar preparados, é um trabalho que requer comprometimento político, apoio e monitoramento no mais alto nível", disse ele, que é enviado especial da OMS para questões relacionadas ao coronavírus. 

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Na avaliação de Michael Yao, gerente do programa de emergências da OMS na África, será preciso haver solidariedade para fornecer equipamentos necessários para elevar a capacidade de testagem e dos sistemas públicos de saúde quando o continente passar por uma fase mais aguda de transmissão local. "Se a gente continuar a ter muitos casos aqui, será um risco mundial".

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