TEL-AVIV - O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu admitiu nesta quinta-feira, 5, os relatos de que Israel tem apoiado uma milícia palestina como parte dos esforços para combater o Hamas na Faixa de Gaza.
Autoridades israelenses falando sob condição de anonimato disseram que o país forneceu apoio, incluindo armas, para Yasser Abu Shabab. Líder de uma milícia na cidade de Rafah, ele se tornou notório após ser acusado de saquear caminhões e revender ajuda humanitária para palestinos famintos ― o que ele nega.
Netanyahu admitiu que Israel havia “ativado clãs em Gaza que se opõem ao Hamas”, dizendo que a medida salvou vidas de soldados israelenses. “Qual é o problema com isso?”, questionou em um vídeo publicado nas redes sociais. Ele disse que aprovou a medida por recomendação das autoridades de segurança, mas evitou mencionar o envio de armas.

Ainda não está claro qual será o impacto do apoio à milícia palestina para a segurança na região. A decisão, no entanto, revela a disposição de Israel em adotar estratégias potencialmente arriscadas ― e as dificuldades em encontrar uma alternativa ao controle do Hamas na Faixa de Gaza, após 20 meses de guerra.
Abu Shabab, por sua vez, rejeitou a alegação de que seu grupo tenha recebido armamento de Israel. Em declaração das redes sociais, ele disse que “afirmações inválidas” foram divulgadas para desacreditar um movimento.
Israel luta há mais de um ano e meio contra o Hamas, que matou 1,2 mil pessoas e levou 250 como reféns no ataque terrorista de 7 de outubro de 2023. Mas enfrenta dificuldades para encontrar uma alternativa viável, considerando que Netanyahu se recusa a permitir que a Autoridade Palestina assuma a Faixa de Gaza.
O apoio a Abu Shabab com armas parece ir além de iniciativas anteriores de buscar parceiros em Gaza, mas ainda é incerto o quanto o líder miliciano realmente controla no território. Parlamentares israelenses disseram, em março, ter recebido informações de que o Hamas ainda contava com mais de 25 mil combatentes.
O nome de Abu Shabab ganhou notoriedade depois que ele foi acusado de liderar o saque em massa de caminhões de ajuda da ONU no ano passado.
Na época, ele negou ter enriquecido com a ajuda humanitária e disse que pegava os suprimentos apenas para alimentar sua família. Testemunhas contam uma versão diferente. Um caminhoneiro disse que foi capturado por homens de Abu Shabab e forçado a descarregar toneladas de alimentos.
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O Hamas reprimiu o grupo de Abu Shabab pouco depois, matando seu irmão e 20 integrantes do que classificou como “gangues de ladrões que estavam roubando ajuda”. Abu Shabab conseguiu escapar.
Yossi Amrosi, ex-oficial de inteligência israelense especializado em Gaza, disse que a milícia de Abu Shabab e outras semelhantes não são aliados de Israel, mas têm um inimigo comum: o Hamas.
Contudo, ele alertou que, se Israel realmente estiver armando o grupo, será necessário um monitoramento rigoroso para “garantir que isso não saia pela culatra”.
A declaração de Netanyahu veio após Avigdor Liberman, parlamentar de oposição e ex-ministro da Defesa, acusar o primeiro-ministro de autorizar o envio de armas a uma gangue criminosa em Gaza.
O líder da oposição Yair Lapid também criticou a decisão de Netanyahu. “Tudo está sendo feito às pressas, sem planejamento estratégico. Isso tudo vai acabar em desastre”, disse Lapid. “As armas enviadas para Gaza acabarão apontadas para soldados e civis israelenses.”/NY TIMES




