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Líder do Hezbollah promete ‘resposta e punição’ após o assassinato de membro do Hamas no Líbano

Antes do discurso de Nasrallah, as Forças de Defesa de Israel disseram que suas tropas estavam ‘preparadas para qualquer cenário’

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Por Redação
Atualização:

O chefe do Hezbollah, Hasan Nasrallah, disse em um discurso na quarta-feira, 3, que Israel receberia “uma resposta e punição” um dia após a morte do líder sênior do Hamas, Saleh Arouri, em um suposto ataque de drone israelense em um subúrbio de Beirute.

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O Hezbollah, um grupo paramilitar híbrido apoiado pelo Irã com base no Líbano, trocou tiros com Israel nas últimas semanas, em meio ao medo de que as tensões possam levar a um conflito regional.

O líder do Hezbollah afirmou no discurso transmitido ao vivo que seu grupo lutará “sem limites” se Israel declarar guerra ao Líbano. O governo libanês disse que estava pedindo ao Hezbollah que mostrasse moderação.

Pessoas assistem ao discurso televisionado do chefe do Hezbollah, Hasan Nasrallah, para marcar o aniversário da morte do comandante iraniano Qasem Soleimani, em um subúrbio ao sul de Beirute, em 3 de janeiro de 2024 Foto: ANWAR AMRO / AFP

“Se o inimigo pensar em travar uma guerra contra o Líbano”, disse Nasrallah, ele “se arrependerá”.

Antes do discurso de Nasrallah, as Forças de Defesa de Israel disseram que suas tropas estavam “preparadas para qualquer cenário”.

Tensões aumentam no Oriente Médio

Mais de cem pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas na quarta-feira em duas explosões que atingiram a cidade iraniana de Kerman, no centro do país, segundo os serviços de emergência. Milhares de pessoas se reuniram na cidade para homenagear o general Qasem Soleimani no quarto aniversário de seu assassinato em um ataque de drone dos EUA no Iraque em 2020.

Um porta-voz do departamento de emergência do país foi citado pela agência de notícias estatal do Irã como tendo dito que 103 pessoas foram mortas e 188 ficaram feridas.

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O vice-governador de Kerman, cidade natal do general morto, disse que o incidente foi um “ataque terrorista”, de acordo com a Agência de Notícias da República Islâmica do Irã (IRNA). As explosões ocorreram a cerca de 800 metros do local de sepultamento de Soleimani, em uma estrada para o cemitério, informou a agência.

O discurso desta quarta do líder do Hezbollah estava programado para relembrar a morte de Soleimani, mas os eventos da terça-feira, 2, em Beirute, fizeram Nasrallah mudar o tom do seu discurso.

Discurso do líder do Hezbollah, Hasan Nasrallah, para marcar o aniversário da morte do comandante iraniano Qasem Soleimani, em um subúrbio ao sul de Beirute, em 3 de janeiro de 2024 Foto: ATTA KENARE / AFP

Morte de Arouri

A autoridade, Saleh Arouri, foi o líder de mais alto escalão do Hamas morto desde o início do conflito em outubro, quando militantes do Hamas e outros invadiram Israel, matando 1.200 pessoas e fazendo cerca de 240 reféns.

O local em que Arouri foi morto na terça-feira - em Dahieh, um bairro residencial densamente povoado na periferia de Beirute, onde o Hezbollah domina - foi visto como especialmente provocativo, aumentando as preocupações de que o grupo militante libanês, que trocou tiros com Israel ao longo da fronteira compartilhada, mas evitou uma guerra total, poderia se sentir compelido a aumentar sua resposta.

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Embora Israel não tenha reivindicado publicamente o ataque de terça-feira, prometeu caçar os líderes do Hamas e se vingar dos cúmplices do ataque de 7 de outubro. A guerra punitiva do exército israelense em Gaza matou mais de 22.000 palestinos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, mas a estrutura de liderança do grupo permanece praticamente intacta.

No mês passado, a mídia israelense publicou gravações vazadas de Ronen Bar, o chefe da agência de segurança interna de Israel, Shin Bet, prometendo localizar e eliminar os líderes do Hamas “em todos os locais” do mundo, incluindo Líbano, Turquia e Qatar.

“Levará alguns anos, mas estaremos lá para fazer isso”, disse ele em gravações veiculadas pela emissora pública Kan. “Esta é a nossa Munique”, acrescentou, referindo-se a uma série de assassinatos israelenses na década de 1970 que tinham como alvo palestinos envolvidos na morte de 11 israelenses nas Olimpíadas de Munique de 1972.

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Arouri encontrava-se regularmente com Nasrallah, que está escondido desde a guerra do Líbano com Israel em 2006. Um porta-voz do Hezbollah confirmou que os dois homens estavam programados para se encontrar na quarta-feira, porque “toda vez que ele está aqui, ele se encontra com o Sayyed”, referindo-se a Nasrallah.

Pessoas se reúnem no local das explosões durante uma cerimônia realizada para marcar a morte do falecido general iraniano Qassem Soleimani, em Kerman, Irã, em 3 de janeiro de 2024 Foto: West Asia News via REUTERS

Arouri “era quem viajava entre aqui e a Turquia; ele tinha a ligação entre dentro [de Gaza] e o Hezbollah”, disse o porta-voz ao The Washington Post, falando sob condição de anonimato devido às regras do grupo. “Ele era um grande jogador, tanto política quanto militarmente.”

Arouri era visto como uma espécie de enviado político, disse Amal Saad, professor de política e relações internacionais na Universidade de Cardiff que acompanha de perto o Hezbollah. Em 2017, Arouri fez parte de uma delegação do Hamas que visitou o Irã, em um momento em que as relações entre as duas partes se deterioraram devido a posições diferentes sobre a guerra civil da Síria.

O assassinato de Arouri ocorreu quando Israel anunciou a retirada de algumas de suas tropas do norte de Gaza, parte do que descreveu como a “terceira fase” da guerra.

Em agosto, Arouri disse ao canal libanês Al-Mayadeen que as repetidas ameaças israelenses contra sua vida são “parte do preço que pagamos”. Arouri, de 57 anos, disse que não esperava chegar à sua idade atual e previu que os assassinatos e outras ações do governo israelense poderiam levar a região a “uma guerra abrangente”.

Desde outubro, grupos aliados do Irã em toda a região, incluindo o Hezbollah, têm retaliado a ofensiva israelense em Gaza, com ataques que visam interesses israelenses ou norte-americanos.

Esta foto fornecida pelo escritório de mídia do Hezbollah em 2 de setembro de 2023 mostra o secretário-geral do grupo xiita libanês, Hassan Nasrallah, reunido com o vice-chefe do Hamas, Saleh al-Arouri (à direita), e o secretário-geral do movimento Jihad Islâmica Palestina, Ziad al-Nakhala (à esquerda), em um local não revelado no Líbano Foto: Mídia do Hezbollah / AFP

A ameaça de uma conflagração regional mais ampla, no entanto, permaneceu sempre presente à medida que os ataques continuaram e até mesmo aumentaram, atraindo uma retórica mais enérgica e respostas militares dos Estados Unidos e de Israel.

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Alguns dos ataques mais perturbadores foram realizados pelos houthis, um grupo militante que controla o norte do Iêmen e também tem laços com o Irã. O grupo realizou ataques com mísseis e drones contra navios comerciais no Mar Vermelho, afirmando que seu objetivo é impedir que navios de propriedade de Israel, ou navios com destino a Israel, transitem enquanto o cerco a Gaza continuar.

No domingo, 31, uma tentativa dos militantes houthis de embarcar em um navio de contêineres no Mar Vermelho culminou em um tiroteio entre helicópteros da Marinha dos EUA e os militantes, matando 10 homens armados houthis. Esse foi o primeiro envolvimento direto desde outubro entre os militares dos EUA e o grupo militante, e gerou temores de uma nova escalada em uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo.

Antes do assassinato de Arouri na terça-feira, 2, Israel havia intensificado seus ataques além de suas fronteiras, inclusive com ataques suspeitos dentro da Síria. Um desses ataques, em Damasco, no dia de Natal, matou um general iraniano de alto escalão, Seyed Razi Mousavi, de acordo com a mídia estatal iraniana./Com W.P

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