Lula envia carta a Obama para evitar sanções ao Irã

Mensagem responde a missiva do líder dos EUA, segundo a qual só fim de processamento[br]de urânio frearia punição

Por Denise Chrispim Marin
Atualização:

BRASÍLIANuma carta enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a seu colega Barack Obama, dos EUA, o líder brasileiro alerta que novas sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas porão a perder a oportunidade aberta pela Declaração de Teerã de uma solução negociada para a questão nuclear iraniana. Com o cuidado de não mencionar a palavra "sanção", Lula insistiu no texto que a declaração recebeu o endosso dos mais altos líderes.

 

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A mensagem responde à carta de Obama a Lula enviada no fim de abril, na qual deixou claro que não abriria mão das sanções a menos que o Irã interrompesse o enriquecimento de urânio imediatamente. Essa advertência não constou dos trechos da carta vazados à agência Reuters na sexta-feira. Já a missiva enviada por Lula, nas entrelinhas, sugere aos EUA a concessão de uma espécie de trégua para o Irã, antes de colocar as novas sanções em votação no Conselho de Segurança da ONU. O texto centrou-se nos avanços obtidos com o acordo extraído pelo Brasil e a Turquia do Irã, no dia 17, sobre a troca de urânio iraniano levemente enriquecido por combustível nuclear. Lula acentuou na carta que o governo iraniano, ao assinar a Declaração de Teerã, aceitou "por escrito" tópicos que antes rejeitava. Como argumento a Obama, Lula também se valeu da atitude do Irã de notificar o compromisso na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anteontem, no prazo previsto. A carta de Lula a Obama faz parte de novos esforços do governo brasileiro para impedir que a resolução com as novas sanções contra o Irã seja posta em votação e aprovada. Segundo a assessoria de imprensa do Itamaraty, Lula cartas similares, ontem, aos presidentes da Rússia, Dmitri Medvedev, e da França, Nicolas Sarkozy. Nos próximos dias, seguirão missivas para o presidente Felipe Calderón, do México - país que também é membro não-permanente do Conselho de Segurança, assim como o Brasil - e para os líderes sul-americanos.

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