Médico que vendia hidroxicloroquina para tratar covid-19 nos Estados Unidos é preso

Foto: George Frey/Reuters

Jennings Ryan Staley foi condenado por tentar contrabandear o medicamento para os EUA e vender como cura para a covid

Por Redação
Atualização:

Continua após a publicidade

Um médico da Califórnia, nos Estados Unidos, foi condenado e preso no final da semana passada por vender “kits de tratamento para covid-19″ com remédios sem eficácia comprovada, como a hidroxicloroquina. Identificado como Jennings Ryan Staley, dono de uma clínica em San Diego, o médico foi condenado a 30 dias de prisão em regime fechado, um ano de prisão domiciliar e vai precisar pagar uma multa de US$ 10 mil.

Segundo a promotoria americana, Staley tentou contrabandear a hidroxicloroquina para os Estados Unidos para vender como tratamento de covid-19 durante as primeiras semanas da pandemia. O medicamento, que não tem eficácia para tratar a doença, foi amplamente utilizado no Brasil. Nos Estados Unidos, ele foi promovido pelo então presidente Donald Trump no início da crise sanitária como um remédio que não teria nenhum risco. Estudos posteriores indicam que a droga pode ser prejudicial a pessoas com comorbidades cardíacas.

Continua após a publicidade

Segundo o promotor Randy Grossman, o médico tentou lucrar com “os medos dos pacientes” no auge da pandemia, antes que as vacinas estivessem disponíveis. “Ele abusou de sua posição de confiança e minou a integridade de toda a profissão médica”, disse. O advogado de Staley não se pronunciou nesta segunda-feira, informou o New York Times.

Imagem mostra Jennings Ryan Staley, médico americano que receitou kit covid com remédios ineficazes no início da pandemia. Staley foi condenado à prisão
Imagem mostra Jennings Ryan Staley, médico americano que receitou kit covid com remédios ineficazes no início da pandemia. Staley foi condenado à prisão 

No ano passado, o médico se declarou culpado por violar a lei de importação e admitiu ter trabalhado com um fornecedor chinês para tentar contrabandear o medicamento para os Estados Unidos. O plano era que um barril fosse enviado com mais de 11 quilos de hidroxicloroquina. O medicamento receberia o rótulo de “extrato de inhame” para enganar a alfandega, disseram os promotores.

Staley, de 47 anos, começou a ser investigado há dois anos, depois que agentes do FBI receberam denúncias sobre a campanha promovida por ele para vender o medicamento. Segundo os promotores, a clínica do médico, que ofertava serviços relacionados à beleza, começou a promover os kit covid no final de março de 2020.

O serviço era anunciado como uma “experiência de medicina de concierge” e custava US$ 3.995 dólares para uma família de quatro pessoas. A compra incluía acesso a Staley, vários medicamentos, como hidroxicloroquina e azitromicina, e um “tratamento anti-ansiedade para ajudar a evitar o pânico, se necessário, e ajudar a dormir”.

Segundo os promotores, Staley buscou investidores para o esquema e prometeu a um deles que poderia “triplicar o dinheiro em 90 dias”.

A investigação aponta que os medicamentos eram descritos pelo médico como “bala mágica”, “arma incrível” e “quase bom demais para ser verdade”, com uma eficácia de “100%” e uma imunidade contra o coronavírus garantia por pelo menos seis semanas. Em uma conversa com um agente da FBI disfarçado de cliente, Staley disse que estava vendendo um medicamento antimalárico que “cura a doença” e o identificou como hidroxicloroquina.

Embora Staley tenha garantido inicialmente que o tratamento curaria o vírus, ele voltou atrás em outro telefonema com o agente disfarçado. “Não há garantias na vida. Não há garantias de nada”, disse.

Em outro momento, o médico ofereceu doses de viagra genérico e Xanax, uma substância controlada pelo governo federal, disseram os promotores. “Em nenhum momento Staley fez perguntas médicas sobre os supostos membros da família do agente disfarçado, incluindo os três supostos filhos menores do agente”, informa o comunicado.

A condenação também determina que o médico deve abrir mão de mais de 4,5 mil comprimidos de vários medicamentos farmacêuticos, vários sacos de cápsulas de comprimidos vazias e uma máquina manual de enchimento de cápsulas, disseram os promotores. /NEW YORK TIMES

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Publicidade