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México e Chile pedem ao TPI que investigue crimes de guerra em conflito Israel-Hamas

O pedido visa impulsionar a investigação sobre crimes cometidos não apenas em Gaza, mas nos territórios ocupados da Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Israel; a investigação solicitada por estes países ao TPI é diferente da encaminhada pela África do Sul na semana anterior

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Por Redação
Atualização:

México e Chile apresentaram, nesta quinta-feira, 18, um pedido de investigação sobre possíveis crimes de guerra no contexto do conflito entre Israel e o Hamas, informaram ambos os governos.

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“A ação do México e do Chile decorre da crescente preocupação com a recente escalada de violência, especialmente contra alvos civis, e a alegada continuidade de crimes sob a jurisdição do Tribunal” desde o início das hostilidades em 7 de outubro, afirmou o Ministério das Relações Exteriores mexicano em um comunicado.

Após o ataque do Hamas a Israel, no qual os terroristas mataram 1.140 pessoas e sequestraram 250, segundo um levantamento da AFP com base em dados oficiais, o Israel lançou uma grande operação na Faixa de Gaza para “liquidar” o Hamas, que governa esse território.

Pessoas de luto ao redor do corpo de Faris Khalifa durante seu funeral no campo de refugiados palestinos de Nur Shams, na Cisjordânia ocupada, em 16 de janeiro de 2024, um dia depois de ele ter morrido em decorrência de ferimentos sofridos por fogo israelense perto de Tulkarm, de acordo com o Ministério da Saúde palestino. Foto: ZAIN JAAFAR / AFP

A ofensiva israelense até agora resultou em 24.620 mortes, em sua maioria mulheres e menores de idade, segundo dados do Hamas.

“O que nos interessa é apoiar a investigação de qualquer possível crime de guerra cometido na área, seja este crime de guerra proveniente de onde quer que venha, seja de israelenses ou palestinos”, disse o ministro das Relações Exteriores chileno, Alberto van Klaveren, em coletiva de imprensa em Santiago.

O pedido, feito por meio de um documento conhecido como “remissão”, visa impulsionar a investigação já em andamento no TPI sobre crimes cometidos não apenas em Gaza, mas nos territórios ocupados da Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Israel, acrescentou Van Klaveren.

O TPI, estabelecido em 2002 para perseguir os autores de atrocidades como genocídios e crimes contra a humanidade, iniciou em 2021 uma investigação nos Territórios Palestinos, em decorrência de denúncias contra Israel, Hamas e outros grupos armados palestinos.

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Área destruída no campo de refugiados de Al Nusairat durante operações israelenses na Faixa de Gaza Central, no sul da Faixa de Gaza, em 16 de janeiro de 2024.  Foto: MOHAMMED SABER / EFE

“A intervenção do TPI ganha particular relevância diante dos numerosos relatórios da ONU que descrevem inúmeros incidentes que podem constituir crimes de competência do TPI”, acrescentou o Ministério das Relações Exteriores mexicano no comunicado.

O México, que se manteve neutro no conflito, informou também que está “monitorando de perto” o caso apresentado na semana passada pela África do Sul contra Israel, acusando-o de cometer genocídio em Gaza, perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ), a mais alta instância judicial da ONU. /AFP

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