Em protesto a Israel, delegações do Brasil e de outros países deixam plenário da ONU
Com plenário esvaziado, Netanyahu defendeu guerra em Gaza, prometeu 'caçar' o Hamas e falou contra o Estado Palestino em discurso. Crédito: ONU/YouTube
NOVA YORK -Em um discurso desafiador na abertura dos debates desta sexta-feira, 26, na Assembleia-Geral da ONU, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, acusou os líderes que reconheceram o Estado palestino de antissemitismo e disse que os palestinos são contra a solução de dois Estados para dois povos.
O líder de Israel apontou que os israelenses “não cometerão suicídio nacional” ao permitir a criação de um Estado palestino. “Não permitiremos que nos enfiem um Estado terrorista goela abaixo”.
Para ele, os líderes de Reino Unido, França, Canadá e Austrália enviaram uma mensagem de que “assassinar judeus compensa” ao reconhecerem um Estado palestino em meio a guerra contra o grupo terrorista Hamas e menos de dois anos depois dos ataques terroristas do grupo, no dia 7 de outubro de 2023.

Netanyahu disse que conversou com os líderes que reconheceram o Estado e não acredita em uma possível reformulação da Autoridade Palestina, entidade que administra partes da Cisjordânia. O primeiro-ministro acusou a entidade de ser corrupta e antidemocrática, já que não tem eleições desde 2005. O líder israelense também disse que a Faixa de Gaza funcionava como um Estado palestino e seus líderes não fizeram nada para melhorar as relações com Israel.
Reação do Hamas
O grupo terrorista afirmou que o boicote de ao discurso demonstrou o isolamento de Israel em virtude da guerra em Gaza.
“O boicote ao discurso de Netanyahu é uma manifestação do isolamento de Israel e das consequências da guerra”, afirmou em um comunicado Taher al-Nunu, do comitê político do Hamas.
Guerra de sete frentes
Netanyahu também descreveu os progressos israelenses na luta contra o grupo terrorista Hamas e o Eixo da Resistência do Irã. O líder israelense relembrou as operações que causaram as explosões de pagers e walkie-talkies de membros da milícia xiita Hezbollah em setembro de 2024 e os ataques contra as instalações nucleares de Teerã. Ele agradeceu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por seu apoio e os bombardeios conjuntos contra o Irã.
O primeiro-ministro também mencionou os ataques terroristas do Hamas no dia 7 de outubro de 2023 e colocou um broche em seu paletó com um QR Code que mostra os vídeos de câmeras de segurança de Israel naquele dia.

Além disso, o líder israelense disse que colocou alto-falantes perto da fronteira de Israel com a Faixa de Gaza para conversar com os reféns israelenses que estão em Gaza. Em hebraico, o primeiro-ministro enviou uma mensagem direta para os sequestrados e disse que Israel não irá esquecê-los. Ele leu o nome dos 20 reféns considerados vivos por Israel.
Netanyahu afirmou que suas palavras estavam sendo transmitidas ao vivo para os celulares dos moradores de Gaza, graças aos esforços da inteligência israelense e exigiu que o Hamas liberte os reféns. “Se o fizerem, viverão. Se não o fizerem, Israel os caçará”.
De acordo com o primeiro-ministro, se o Hamas concordar com as exigências de Tel-Aviv, incluindo a desmilitarização de Gaza, a guerra no território poderá terminar. O grupo terrorista rejeitou publicamente a exigência de Israel de desmilitarizar Gaza.

Netanyahu rejeita acusações de genocídio
O primeiro-ministro também se queixou da falta de apoio de diversos países ocidentais ao longo da guerra. Ele disse que após os ataques de 7 de outubro, muitos líderes apoiaram Israel, mas esse apoio foi decrescendo.
“Vocês nos condenam, nos embargam e travam uma guerra política e jurídica — isso se chama lawfare — contra nós”, diz ele.
De acordo com Netanyahu, Israel não está cometendo genocídio na Faixa de Gaza porque aplica medidas para reduzir a morte de civis e pediu de diversas formas que os civis palestinos se retirassem da Cidade de Gaza antes da ofensiva que começou no começo do mês.
O primeiro-ministro também classificou as alegações de que Israel estaria aplicando uma política de fome contra os palestinos e acusou o Hamas de roubar a ajuda humanitária fornecida por Israel.

Pressão
Esta semana, cerca de 10 países, incluindo França, Reino Unido e Canadá, aliados de longa data de Israel, reconheceram o Estado palestino na ONU como parte de um esforço para promover uma solução de dois Estados para o conflito.
Em resposta, alguns membros da coalizão de governo de Netanyahu pediram a anexação de toda ou parte da Cisjordânia. Isso poderia colocar o líder israelense em desacordo com seu aliado mais forte, o presidente Trump, que esta semana garantiu aos líderes mundiais que não permitiria a medida.
Durante o discurso, Netanyahu não mencionou a Cisjordânia, mas defendeu a guerra contra o grupo terrorista Hamas e a operação na Cidade de Gaza.
O líder israelense enfrenta imensa pressão interna e externa para acabar com a guerra na Faixa de Gaza. Dezenas de diplomatas de diversos países se retiraram antes do início de seu discurso em Nova York e manifestantes ocupam as ruas de Tel-Aviv todas as semanas para pedir a volta dos reféns e um acordo de cessar-fogo.
Saiba mais
Síria e Líbano
Durante sua fala, o primeiro-ministro israelense também elogiou o governo libanês por seu objetivo declarado de desarmar o Hezbollah, e disse que o Líbano deve iniciar conversas com Israel para normalizar as relações diplomáticas.
Netanyahu também ressaltou que está negociando um acordo de segurança com o novo governo sírio, do presidente Ahmed Shaara. O novo acordo respeitaria a soberania síria, garantiria a segurança da minoria drusa e forneceria garantias de segurança para Israel.











