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Netanyahu afirma que civis devem ser retirados de Rafah antes de ofensiva israelense

Tel-Aviv afirma que deve focar as suas operações militares em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, local que abriga mais de 1 milhão de palestinos que se deslocaram do norte e do centro do enclave após o inicio da guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas

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Por Redação

TEL-AVIV -O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, ordenou que as Forças de Defesa de Israel (FDI) apresentassem um plano para a retirada de civis palestinos que estão na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza. Tel-Aviv já indicou que a cidade que faz fronteira com o Egito deve ser o próximo foco militar da ofensiva israelense no enclave palestino.

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“Qualquer ação enérgica em Rafah exigiria a retirada da população civil das zonas de combate”, afirmou o gabinete do primeiro-ministro nesta sexta-feira, 9, sem dizer que área essas zonas cobririam,

Nas últimas semanas, cerca de 1,4 milhão de palestinos se deslocaram para Rafah por conta da ofensiva israelense no norte e também em cidades no sul da Faixa de Gaza, como Khan Yunis. A guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas começou no dia 7 de outubro, quando terroristas do Hamas invadiram o território israelense e mataram mais de 1.200 pessoas, além de terem sequestrado 240. Após o ataque, tropas israelenses iniciaram uma ofensiva contra o enclave palestino, com bombardeios aéreos e invasão terrestre. Segundo o ministério da Saúde de Gaza, que é controlado pelo Hamas, mais de 27 mil palestinos foram mortos desde o início da guerra.

Palestinos observam um prédio destruído por um bombardeio israelense em Rafah, Faixa de Gaza  Foto: Fatima Shbair / AP

Biden critica ofensiva de Israel em Gaza

Em uma coletiva de imprensa na Casa Branca na quinta-feira, 8, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, criticou a ofensiva israelense em Gaza, apontando que as operações militares foram “exageradas”.

Biden, que apoiou fortemente o direito de Israel de retaliar o ataque terrorista de 7 de Outubro perpetrado pelo Hamas, mas vem questionando nas últimas semanas a escala e a duração da resposta de Israel.

“Sou da opinião, como sabem, que a condução da resposta em Gaza, na Faixa de Gaza, foi exagerada, tenho pressionado muito, muito mesmo, para levar assistência humanitária a Gaza”, acrescentou. “Há muitas pessoas inocentes que estão morrendo de fome. Há muitas pessoas inocentes que estão em apuros e morrendo. E isso tem que parar.”

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, participou de uma coletiva de imprensa em Washington, Estados Unidos  Foto: Evan Vucci / AP

A administração Biden também alertou na quinta-feira que não apoiaria neste momento os planos de Israel para uma operação militar em Rafah, e tanto um porta-voz da Casa Branca quanto o secretário-geral da ONU alertaram para uma catástrofe caso Israel atacasse.

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“Dadas as circunstâncias e as condições que vemos neste momento, pensamos que uma operação militar neste momento seria um desastre para essas pessoas”, disse um porta-voz da Casa Branca, John Kirby, aos jornalistas.

Em um comunicado, o gabinete do primeiro-ministro israelense disse que não poderia concretizar o objetivo de Israel de eliminar o Hamas em Gaza, sem entrar em Rafah, já que, segundo Tel-Aviv, o grupo terrorista possui batalhões e infraestrutura na cidade do sul de Gaza.

Plano

O governo israelense deixou claro nos últimos dias que pretende estender a invasão de Gaza até Rafah, na fronteira com o Egito. Na quarta-feira,7, Netanyahu disse que as forças israelenses estavam se preparando para operar na área densamente povoada.

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“Nossos soldados estão agora em Khan Younis, o principal reduto do Hamas.” apontou o primeiro-ministro nas redes sociais.“Em breve irão para Rafah, o último bastião do Hamas.”

O Ministério das Relações Exteriores da Autoridade Palestina, com sede na Cisjordânia, exigiu que os aliados de Israel pressionassem o seu governo para não enviar tropas para Rafah. “A obrigação de pressionar Israel a não cometer este ataque, com o seu potencial para massacres de civis em larga escala, recai diretamente sobre os ombros dos países que ainda acreditam no direito de Israel à autodefesa”, afirmou o ministério em um comunicado./com NYT

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