Netanyahu rejeitou em outubro proposta de cessar-fogo por libertação de reféns doentes, diz jornal

Primeiro-ministro israelense teria descartado um acordo nos primeiros dias da guerra e que o acordo envolvia a libertação de crianças, mulheres, idosos e pessoas doentes; gabinete do premiê não comenta a reportagem do ‘Guardian’

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Por Redação
Atualização:

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, recusou um acordo de cessar-fogo de cinco dias com o grupo terrorista Hamas pela saída de alguns reféns que estão no enclave palestino, segundo uma matéria do jornal britânico The Guardian, que cita fontes do governo israelense.

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O gabinete do primeiro-ministro israelense foi procurado pelo jornal, mas não se pronunciou sobre a reportagem do The Guardian. Cerca de 240 israelenses estão mantidos em Gaza pelo grupo terrorista Hamas ou pela Jihad Islâmica.

De acordo com as fontes do jornal, o primeiro-ministro israelense rejeitou um acordo nos primeiros dias da guerra, logo após o dia 7 de outubro, quando ocorreu o ataque do grupo terrorista Hamas, que deixou 1400 pessoas mortas no sul de Israel. O acordo original envolvia a libertação de crianças, mulheres, idosos e doentes.

O The Guardian afirma que as negociações foram retomadas depois que as Forças de Defesa de Israel (FDI) iniciaram as primeiras ofensivas terrestres na Faixa de Gaza, mas Netanyahu seguiu adotando uma postura dura, rejeitando um possível cessar-fogo pela soltura de reféns.

O primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, participa de coletiva de imprensa em Tel-Aviv, Israel  Foto: Abir Sultan/Reuters

Segundo fontes do jornal britânico, as negociações que ocorreram antes do inicio da operação terrestre no enclave palestino envolveriam a soltura de um número muito maior de reféns, principalmente daqueles que possuem dupla nacionalidade.


As famílias dos reféns israelenses não estão satisfeitas com as respostas do governo em relação a questão e organizaram diversos protestos no último mês.

Israelenses protestam contra o governo israelense pelo retorno dos reféns que estão na Faixa de Gaza  Foto: Janis Laizans/Reuters

Pausas humanitárias

Israel concordou em implementar pausas diárias de quatro horas nos combates com o grupo terrorista Hamas em áreas selecionadas do norte da Faixa de Gaza para permitir a saída de civis para a parte do sul do enclave palestino.

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O anúncio foi feito pela Casa Branca nesta quinta-feira, 9, em meio a pressão do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, para que uma pausa humanitária ocorresse em Gaza.

“Os israelenses nos disseram que as tropas não farão operações militares nestas áreas durante a pausa e que este processo começa hoje”, afirmou John F. Kirby, porta-voz da Casa Branca, em um comunicado. Cada pausa será anunciada com três horas de antecedência, disse ele, e um segundo corredor seguro ao longo será aberto para a saída de civis.

Em uma publicação na plataforma X, as Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmaram que as pausas diárias não significam um cessar-fogo na Faixa de Gaza. Questionado sobre o anúncio da Casa Branca, o gabinete do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu afirmou em um comunicado que Israel está permitindo a abertura de corredores de passagem seguros do norte para o sul de Gaza e que cerca de 50 mil civis palestinos seguiram esta rota na quarta-feira, 8. Netanyahu também ressaltou que os combates continuam no enclave costeiro até que os 240 reféns sejam libertados.

Demandas

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Uma fonte com conhecimento das negociações afirmou ao The Guardian, que as negociações esfriaram após uma exigencia de Israel de que o grupo terrorista Hamas fornecesse uma lista completa especificando o nome e os detalhes de cada pessoa detida em Gaza. O Hamas respondeu que não seria capaz de fornecer a lista sem uma pausa nos combates, uma vez que os cerca de 240 reféns foram detidos por vários grupos diferentes em locais de Gaza.

Outra fonte afirmou ao jornal que o Hamas originalmente exigia a troca de prisioneiros, combustível e outros suprimentos em troca dos reféns, mas essas exigências foram abandonadas em favor da suspensão apenas dos ataques aéreos de Israel .

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