O que é a Superterça, por que ela importa, e o que pode apontar sobre a eleição nos EUA?

Com prévias simultâneas, esta terça-feira é considerada um dia-chave na definição da disputa presidencial

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Por Redação
Atualização:

A data mais importante para as primárias nos Estados Unidos chegou. A chamada Superterça, que ocorre hoje, 5 de março, vai definir os resultados das primárias de 15 Estados americanos e um território de Washington.

No Partido Republicano, o ex-presidente americano Donald Trump é o favorito para se aproximar do “número mágico” de 1.215 delegados necessários para vencer as primárias republicanas enquanto a ex-embaixadora dos EUA na ONU Nikki Haley tenta ganhar fôlego. Para os democratas, o presidente dos EUA, Joe Biden, não teve problemas até aqui nas primárias e nenhum outro nome parece ter chances reais de desafiá-lo.

O ex-presidente dos EUA Donald Trump deve enfrentar o presidente americano Joe Biden nas próximas eleições Foto: Michael Reynols / EFE

Saiba mais sobre a Superterça.

O que é a Superterça?

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A chamada Superterça é o dia-chave para a definição da disputa presidencial por conta da quantidade de Estados que realizam as primárias no mesmo dia (geralmente, a primeira terça-feira de março). Este ano, 15 Estados e um território americano realizam o pleito e 874 dos 2.429 delegados do Partido Republicano estão em disputa hoje.

Os delegados são pessoas escolhidas para representar cada Estado nas convenções nacionais dos partidos políticos. São eles que realmente selecionam o candidato para representar seu partido nas eleições de novembro.

Cada Estado tem um número determinado de delegados e as regras podem variar mas o Partido Republicano costuma dar preferência ao método “o vencedor leva tudo”. É assim, por exemplo, na Califórnia, que realiza as primárias na Superterça e tem 169 delegados em disputa. Quem tiver a maioria dos votos arremata todos eles.

O ex-presidente americano Donald Trump lidera a disputa com 244 delegados, contra 43 da ex-embaixadora americana na ONU Nikki Haley. Trump precisa chegar a 1.215 delegados para assegurar a vitória.

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A ex-embaixadora americana na ONU Nikki Haley participa de um comício em Falls Church, Virginia  Foto: Ruth Fremson/ NYT

Quais Estados irão realizar suas primárias nesta data?

15 estados americanos votam na Superterça: Alabama, Alasca, Arkansas, Califórnia, Colorado, Maine, Massachusetts, Minnesota, Carolina do Norte, Oklahoma, Tennessee, Texas, Utah, Vermont e Virgínia. Além deles, a Samoa Americana, um território de Washington na Oceania, também tem primárias hoje.

Conheceremos ainda os resultados da disputa democrata em Iowa, que está sendo realizada por correio há várias semanas. (Os republicanos do Estado deram a largada nas prévias do partido, em janeiro.)

Qual é a importância da Superterça?

Se Nikki Haley tivesse vencido, ou chegado muito perto de vencer, na Carolina do Sul ou no Michigan, no final de fevereiro, a Superterça teria sido crucial para demonstrar se ela conseguiria permanecer competitiva contra Trump.

A maioria dos estados que votam nesta terça permitem que eleitores não afiliados participem nas primárias, então existe uma possibilidade de Haley conseguir uma porcentagem de votos maior que o esperado. Isso porque ela tende a se sair melhor entre os eleitores independentes ou mais moderados.

Trump, por sua vez, caminha para garantir os delegados necessários para nomeação - o que, matematicamente, pode ocorrer já na próxima semana. Sua campanha tem aumentado a pressão para que Haley desista, e outra grande vitória pode ser um ponto importante a seu favor.

O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump participa de um comício presidencial em Richmond,Virginia  Foto: Steve Helber / AP

Haley acumulou uma quantia considerável de dinheiro para a sua campanha e diz que deseja permanecer na disputa até a Convenção Nacional Republicana, em julho, caso os delegados tenham dúvidas sobre a nomeação formal de Trump em meio a seus problemas legais.

Primárias democratas

Do lado democrata, nada indica que a corrida seja competitiva, o que é normal para um partido cujo candidato é o atual presidente. Biden obteve mais de 95% dos votos na Carolina do Sul e mais de 80% em Michigan.

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O único obstáculo ocorreu em Michigan, onde ocorreu um movimento para que as pessoas fossem as primárias democratas e votassem na opção “descomprometido” para protestar contra o apoio militar e econômico de Biden a Israel durante a guerra contra o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza, que já deixou mais de 30 mil mortos, segundo o ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, participa de coletiva de imprensa em Camp David  Foto: Andrew Harnik / AP

Michigan possui uma forte comunidade árabe americana e apesar de a rejeição não ter sido um problema para Biden conseguir a vitória nas primárias democratas no Estado, a rejeição do presidente americano pode prejudicá-lo nas eleições gerais em novembro.

O único esforço contra Biden deve ocorrer no Colorado, com um grupo de uma ala mais progressista do Partido Democrata pedindo que os eleitores votem na opção “descomprometido”, como uma forma de protesto ao governo Biden.

O presidente concorre contra o congressista Dean Phillips e a escritora Marianne Williamson pela nomeação democrata, mas os dois candidatos não conseguiram surpreender nas primárias até agora./ Com AP, NYT e W.Post

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