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Rússia elogia posição do Brasil na guerra e vincula proposta de paz de Lula à ‘situação no terreno’

Kremlin exalta a decisão do governo brasileiro de não enviar munições para a Ucrânia, mesmo após um pedido direto feito a Lula pelo chanceler alemão Olaf Scholz

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Foto do author Luiz Raatz
Por Luiz Raatz
Atualização:

O governo da Rússia elogiou nesta quinta-feira, 23, a posição do Brasil na guerra da Ucrânia e prometeu analisar uma proposta de paz sugerida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde que as condições na linha de frente permitam uma negociação.

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“Ficamos sabendo das declarações do presidente brasileiro sobre uma possível mediação política para impedir a escalada do conflito na Ucrânia. Estamos analisando essa iniciativa, mas, claro, levando em conta a situação no terreno”, disse à agência estatal Tass, o vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Mikhail Galuzin.

O vice-chanceler elogiou a decisão do governo brasileiro de não enviar munições para a Ucrânia, mesmo após um pedido direto feito a Lula pelo chanceler alemão Olaf Scholz, no fim de janeiro. Galuzin disse que essa decisão reflete uma independência do governo brasileiro frente à pressão da Casa Branca por um envolvimento maior da América Latina no conflito.

Tanques Leopard, da Alemanha, serão enviados à Ucrânia  Foto: Martin Meissner / AP

“Queria enfatizar que a Rússia valoriza a posição equilibrada do Brasil (na guerra) e sua recusa a fornecer armas e munição ao regime de Kiev”, acrescentou Galuzin. “Ao mesmo tempo, sabemos que a Casa Branca está pressionando o brasil. Uma posição soberana como essa merece respeito.”

Desde a posse, Lula tem defendido o fim da guerra, que completa um ano na sexta-feira. No ano passado, em maio, antes da campanha eleitoral, o então pré-candidato chegou a dizer que tanto Vladimir Putin quanto Volodmir Zelenski eram responsáveis pelo conflito. Com sua chegada ao Planalto, no entanto, o petista alterou o discurso e passou a responsabilizar Putin pela invasão.

A perspectiva de um final do conflito, no entanto, segue longe da realidade. Após um rápido avanço russo no começo da guerra e um contra-ataque eficaz da Ucrânia nos últimos meses de 2022, a guerra na Ucrânia vive um estágio de estagnação, com tropas russas e ucranianas sem avanços claros nas últimas semanas.

Iniciativas diplomáticas

Na visita ao presidente americano, Joe Biden, no começo do mês, Lula sugeriu a criação de um grupo de países para negociar o fim do conflito. A Casa Branca, no entanto, evitou comprometer-se com a proposta, apesar de ambos concordarem com a necessidade de uma paz duradoura na região.

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Nesta quinta-feira, 23, a Assembleia-Geral da ONU aprovou uma nova resolução que busca uma paz abrangente, justa e duradoura na Ucrânia e pede a retirada imediata das tropas russas, em que há trechos com elaboração da diplomacia brasileira.

A declaração, que tem apenas valor simbólico, contou com a participação do Brasil depois de reuniões bilaterais mantidas pelo chanceler Mauro Vieira com diplomatas ucranianos na semana passada na Conferência de Munique, na Alemanha.

Da boca para fora

Sugestões vagas de negociações de paz não são incomuns no conflito ucraniano. Em dezembro, Putin se disse disposto a negociar ‘soluções aceitáveis’ para o fim do conflito, que incluiriam a manutenção das quatro províncias ocupadas por tropas russas.

Semanas antes foi a vez da Rússia rejeitar uma oferta ucraniana que incluía a retirada de tropas de seu território. No começo da guerra, Putin também rejeitou uma oferta de paz de Zelenski por julgar que obteria condições mais vantajosas no campo de batalha.

Ecos de Teerã

Não é a primeira vez que Lula tenta protagonizar uma negociação de alto nível diplomático no cenário mundial. Em 2010, com a ajuda do presidente turco Recep Erdogan, o petista, então no segundo mandato, tentou intermediar um acordo nuclear entre o Irã e os Estados Unidos. A proposta foi recebida com ceticismo pela então secretária de Estado, Hillary Clinton, e não prosperou.

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