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Santiago Peña é eleito presidente do Paraguai e negociará revisão do acordo de Itaipu com o Brasil

Eleição tem uma especial importância para o Brasil em razão da revisão neste ano do tratado firmado sobre a usina

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Por Redação
Atualização:

ASSUNÇÃO - Santiago Peña, do Partido Colorado, foi eleito neste domingo, 30, o novo presidente do Paraguai. Com 99,09% das urnas apuradas, ele tinha 42,74% dos votos, segundo a Justiça Eleitoral. O rival, Efraín Alegre, do Partido Liberal, tinha 27,48% dos votos. A eleição no país vizinho tem uma especial importância para o Brasil em razão da revisão neste ano do Tratado da Usina de Itaipu.

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Os paraguaios também votaram para compor seu Congresso e governadores de província, que devem ser conhecidos nas próximas horas e ao longo da madrugada. Resultados preliminares, no entanto, indicam que os colorados ampliarão sua bancada no Senado e na Câmara.

Peña, um economista de 44 anos, foi a aposta do Partido Colorado para seguir no poder contra Alegre, um advogado de 60 anos,que reuniu uma coalizão com partidos de centro e de esquerda para chegar à presidência depois de ter sido derrotado em 2018 e em 2013. Ele fez o discurso de vitória pouco depois de o resultado se tornar irreversível.

“Os eleitores depositaram sua confiança em nossas mãos para que amanhã possamos ser melhores e seremos melhores. Somos todos moralmente obrigados a desempenhar um papel no lugar que nos toca. Só assim poderemos enfrentar com sucesso a pobreza, a corrupção e a impunidade”, disse Peña.

“Convoco a unidade e o consenso para alcançar nosso destino de bem-estar coletivo e prosperidade sem exclusões. Chegou a hora de postergar nossas diferenças para priorizar as causas comuns que nos unem como nação”, acrescentou o presidente eleito em discurso para dezenas de apoiadores de seu partido em Assunção.

Acordo de Itaipu

O eleito será o futuro interlocutor do Brasil na revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu, que estabelece as bases financeiras e de prestação dos serviços de eletricidade da usina, marcada para agosto.

Assinado em 1973, o tratado já previa a amortização das dívidas contraídas pela usina, que acabaram de ser pagas no mês passado, e mudanças nas demandas elétricas dos dois países. Por isso, estabelecia a revisão do texto dentro de 50 anos.

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De acordo com o Tratado de Itaipu, toda a energia produzida deve ser dividida entre os dois países. O Paraguai historicamente nunca usou toda a geração a que tem direito, e pelo acordo se vê obrigado a vender o excedente para o Brasil.

Ao Estadão, ainda durante a campanha, Peña disse que estar otimista sobre o papel da usina para os próximos 50 anos. “Estou otimista para poder negociar isso com Lula. Ele é uma pessoa com experiência e há testemunhas de que quer fortalecer os vínculos entre os dois países”, afirmou.

Lula reconhece vitória

Em uma publicação no Twitter, o presidente Lula felicitou o novo líder paraguaio pela vitória e disse estar pronto para trabalhar em parceria com Peña.

Aliança com Taiwan

Outros temas presentes na campanha que devem influenciar o governo de Peña é o controle da criminalidade e do contrabando na fronteira e a relação do Paraguai com Taiwan.

O Paraguai faz parte de um clube cada vez menor de 13 países, a maioria pequenas nações insulares, que mantêm relações com Taiwan e não com a China. A amizade Paraguai-Taiwan – firmada por seus ditadores em 1957 – continua forte. Taiwan pagou pelo prédio modernista do Congresso do Paraguai e forneceu seu jato presidencial.

Mas os agricultores do Paraguai enfrentam obstáculos para exportar soja e carne bovina para a China como resultado.


Pessoas esperam na fila para votar durante as eleições nacionais em Assunção em 30 de abril de 2023 Foto: Norberto Duarte/AFP

Domínio colorado

O Partido Colorado governou o Paraguai durante a maior parte das últimas sete décadas, sob a ditadura e sob a democracia. A exceção foi o período do esquerdista Fernando Lugo no poder, entre 2008 e 2012. O ex-bispo, no entanto, sofreu um impeachment e deixou o cargo.

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Apesar do amplo domínio sobre a política paraguaia, o Partido Colorado está dividido em facções. Peña, um aliado do ex-presidente Horacio Cartes, representa o Honor Colorado, ala majoritária do partido.

Sua campanha, no entanto, sofreu um abalo no começo deste ano quando o governo americano impôs sanções a Cartes, por supostos vínculos com a milícia xiita libanesa Hezbollah, suspeita de ter vínculo com comunidades de imigrantes na tríplice fronteira. Cartes é suspeito também de falsificação de cigarros. Ele tem diversos negócios no país.

Peña perdeu capacidade de financiamento e viu nas últimas pesquisas um crescimento de Alegre, que chegou a estar empatado tecnicamente com ele.

A eleição presidencial, em turno único, é vencida por maioria simples para um período de cinco anos, sem possibilidade de reeleição imediata.

Santiago Peña, candidato do Partido Colorado, vota em Assunção  Foto: Jorge Saenz / AP

Outros candidatos

Terceiro colocado na disputa é Paraguayo Cubas, de 61 anos, um ex-senador de extrema direita que ganhou votos na reta final com um discurso populista e anticorrupção.

Ele já havia atraído as manchetes por chicotear um juiz com o cinto e depois fazer suas necessidades no escritório do magistrado. Ele fez sua campanha principalmente nas redes sociais, classificando o Congresso como uma “caverna de bandidos” e sugerindo que governaria como um ditador. | AFP, AP, EFE e NYT

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