China condena ataques de Israel, que declara Irã como ‘principal frente de guerra’

Ministro das relações exteriores da China diz que ofensiva israelense abre precedente perigoso que pode ter ‘consequências desastrosas’

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Por Redação
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Ataque ao Irã mostra superioridade de Israel no oriente médio, afirma Gunther Rudzit

Professor de Relações Internacionais da ESPM destaca a facilidade que o caças israelenses atuaram ao lançar uma onda de ataques ao Irã. Crédito: Imagens: AP / AFP

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A China condenou neste sábado, 14, os ataques de Israel ao Irã. Em uma ligação com diplomatas dos dois países, o ministro chinês das relações exteriores, Wang Yi, afirmou que seu país “condena claramente a violação da soberania, segurança e integridade territorial do Irã por parte de Israel” e apoia o Irã em sua defesa.

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A declaração do ministério das relações exteriores acrescenta que “o ataque às instalações nucleares do Irã estabeleceu um precedente perigoso que pode ter consequências desastrosas”.

Segundo a mensagem publicada pelo ministério, a China “se opõe claramente à violação da lei internacional por parte de Israel ao atacar o Irã com força, especialmente quando a comunidade internacional ainda está buscando uma solução política para a questão nuclear iraniana”.

Wang também disse que a diplomacia para a questão do programa nuclear do Irã não se esgotou e que a força não pode trazer uma paz duradoura.

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Enquanto isso, presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tiveram uma conversa por telefone neste sábado, que durou 50 minutos, para discutir a escalada da situação nas negociações de paz no Oriente Médio e na Ucrânia, disse o assessor do líder russo, Yuri Ushakov.

“A perigosa escalada da situação no Oriente Médio estava naturalmente no centro da troca de opiniões”, disse a jornalistas após a conversa entre os líderes. O republicano, segundo Ushakov, descreveu a situação regional como “muito alarmante”.

Ainda neste sábado, líderes do Egito e da Turquia disseram que Israel corre o risco de empurrar o Oriente Médio para um “caos completo”. Uma declaração da presidência egípcia disse que o presidente Abdel Fattah el-Sissi e seu colega turco Recep Tayyip Erdogan enfatizaram em um telefonema que os ataques de Israel ao Irã poderiam levar a “repercussões catastróficas” na região. Eles pediram a interrupção imediata das operações militares e o retorno das negociações nucleares mediadas por Omã entre os Estados Unidos e o Irã.

No entanto, ministro das relações exteriores de Omã disse que as conversas planejadas entre o Irã e os Estados Unidos sobre o programa nuclear de Teerã “não ocorrerão agora” após os ataques de Israel contra a República Islâmica. Badr al-Busaidi fez o anúncio nas redes sociais neste sábado, afirmando que qualquer conversa seria “injustificável” em meio aos ataques em andamento.

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“As conversas entre Irã e EUA programadas para serem realizadas em Mascate neste domingo não acontecerão agora”, escreveu al-Busaidi. “Mas a diplomacia e o diálogo continuam sendo o único caminho para uma paz duradoura.”

Novo foco de combate

Em uma mudança na condução da guerra, as forças armadas de Israel anunciaram neste sábado, 14, que o Irã se tornou sua principal frente de combate. Gaza, até então centro da ofensiva israelense, agora é uma ‘posição secundária’, segundo as forças armadas israelenses.

O novo foco de Israel no Irã aumenta o risco de um conflito regional de grandes proporções, com potencial envolvimento direto de potências ocidentais. A tensão segue em alta, com ofensivas e contra-ataques sendo registrados em múltiplas frentes desde a madrugada de sexta-feira.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que concluiu uma reunião de segurança com autoridades militares alertando que novos ataques do Irã poderão levar à “destruição total da capital iraniana”.

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O israelense declarou que o governo iraniano está “transformando os cidadãos do Irã em reféns e criando uma realidade na qual eles pagarão um preço alto”. “Se (o líder supremo do Irã, aiatolá Ali) Khamenei continuar a disparar mísseis contra a retaguarda israelense, Teerã vai queimar”, disse.

Seguranças de Israel inspecionam construções destruídas em Rishon Lezion, no centro do país, após Irã retaliar ataques  Foto: Ohad Zwigenberg/AP

Sob a justificativa de que o Irã estava se aproximando de um ponto “sem retorno” rumo à bomba atômica, nas últimas 24 horas as Forças Armadas de Israel lançaram um ataque sem precedentes em solo iraniano, atingindo mais de 200 instalações nucleares e militares e matando a cúpula militar do país, além de nove cientistas envolvidos no programa nuclear iraniano.

Ainda neste sábado, Israel bombardeou defesas aéreas e lançadores de mísseis do Irã, intensificando suas operações contra o país. A imprensa estatal do Irã afirmou que 78 pessoas morreram, entre elas 20 crianças.

Também no sábado, o Irã disparou ao menos 200 mísseis e deixou três pessoas mortas e 82 feridas no território israelense desde sexta-feira, 13.

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Foi a primeira vez que as forças israelenses admitiram ter mirado a instalação nuclear de Fordow, um importante centro do programa nuclear iraniano que está em uma base da Guarda Revolucionária do Irã, enterrado quase meio quilômetro abaixo de uma montanha, embora a estrutura não tenha sofrido danos graves.

Autoridades iranianas, por sua vez, afirmaram que removeram equipamentos de Fordow antes dos ataques à fortificada instalação nuclear. Citado pela agência estatal IRNA, Behrus Kamalvandi, porta-voz da Organização de Energia Atômica do Irã, disse que os danos nos arredores da instalação são “administráveis”.

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Em entrevista ao Estadão, André Lajst avalia os ataques israelenses as instalações nucleares iranianas e a resposta de Teerã. Crédito: Daniel Gateno

O local — construído em uma área subterrânea profunda e protegido por baterias antiaéreas — abriga centrífugas utilizadas no enriquecimento de urânio, essenciais para o desenvolvimento de armas nucleares.

O Exército israelense também divulgou imagens dos bombardeios. A ofensiva, segundo as autoridades de Israel, continuará com foco em instalações nucleares, bases militares, lançadores de mísseis balísticos e alvos humanos considerados estratégicos, como cientistas nucleares e oficiais de alto escalão. Neste sábado, Tel Aviv anunciou ter matado nove especialistas nucleares iranianos em ataques realizados desde sexta-feira (noite de quinta-feira em Brasília).

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Resposta Iraniana

O governo iraniano acusa Israel de iniciar uma guerra ao realizar ataques que deixaram ao menos 78 pessoas mortas no Irã, na sexta. O governo israelense, por sua vez, diz que o conflito vai se estender pele tempo necessário.

Apesar dos apelos internacionais por uma diminuição da tensão, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, advertiu que “mais ataques virão”.

Iranianos passam por um cartaz anti-Israel na Praça Enghlab, em Teerã, em 14 de junho de 2025: exército de Israel disse que seus caças estavam prontos para retomar os ataques a alvos em Teerã Foto: Atta Kenare/AFP

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que os ataques de Israel são uma “declaração de guerra”.

Diante da ofensiva israelense, o governo iraniano fez um alerta direto aos Estados Unidos, ao Reino Unido e à França, afirmando que, se houver qualquer interferência para impedir os ataques de Teerã contra Israel, bases militares e navios ocidentais na região poderão ser alvo de retaliação.

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O presidente americano, Donald Trump, disse que os EUA ajudarão a defender Israel, e que o Irã tem “uma segunda chance” de voltar à mesa de negociações para tratar sobre o programa nuclear do país.

Oficiais americanos foram citados em reportagens dizendo que as forças dos EUA já ajudaram a abater drones e mísseis iranianos à medida que se aproximavam de Israel. O presidente da França, Emmanuel Macron, também disse na sexta-feira que seu país ajudaria a defender Israel contra represálias iranianas.

Por que o Irã é o coração dos conflitos no Oriente Médio?

Nos últimos anos, o mundo viu uma escalada dos conflitos no Oriente Médio, e o Irã esteve envolvido com todos os focos de tensão na região.

O governo do Reino Unido disse que suas forças não forneceram nenhuma assistência militar a Israel, já que o primeiro-ministro, Keir Starmer, enfatizou a necessidade de diminuição das tensões.

Ele informou que os britânicos estão enviando jatos da Força Aérea Real e outros reforços militares para o Oriente Médio, enquanto o conflito entre Irã e Israel ameaça se intensificar. “Estamos transferindo recursos para a região, incluindo jatos, para apoio de contingência”, disse ele a jornalistas, durante voo para o Canadá, para a cúpula do G-7.

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Teerã está buscando dissuadir o apoio ocidental à defesa de Israel num momento em que a maioria dos mísseis e drones que lança contra o país estão sendo interceptados antes de alcançarem seus alvos.

No entanto, seguir adiante com a ameaça, divulgada no sábado através da mídia estatal, seria um enorme risco para o Irã, atraindo forças ocidentais para o conflito quando já está sofrendo com a força do bombardeio israelense

Falando em uma sessão do conselho de segurança da ONU na sexta-feira, o diplomata americano McCoy Pitt alertou: “Nenhum país aliado ou milícia independente deve alvejar cidadãos americanos, bases americanas ou outra infraestrutura americana na região. As consequências para o Irã seriam terríveis”. / AP, NYT e AFP