Veja imagens de Tel Aviv após novo ataque iraniano
Nesta segunda-feira, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que os moradores de Teerã “pagarão o preço” pelos ataques iranianos contra Israel. Crédito: Oren ZIV/AFPTV/AFP
WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, fez nesta terça-feira, 17, uma série de ameaças e exigências ao governo do Irã por meio de sua conta na rede social Truth Social. O republicano pediu a “rendição incondicional” dos iranianos no conflito com Israel e deixou aberta a possibilidade de assassinar o aiatolá Ali Khamenei e disse que “a paciência americana está acabando”.
O líder supremo iraniano, por sua vez, disse na quarta-feira que seu país não mostrará misericórdia ao governo israelense, horas depois de Trump dar suas declarações sobre o conflito.
“Devemos dar uma resposta firme ao regime terrorista sionista. Não teremos misericórdia para com os sionistas”, escreveu Khamenei em sua conta no X.
Trump esteve reunido com assessores do Conselho de Segurança Nacional no começo da tarde na Sala de Situação da Casa Branca para discutir o confronto no Oriente Médio e um possível envolvimento americano na guerra. A reunião começou pouco depois das 15h (horário de Brasília) e terminou pouco antes das 17h.
Após a reunião, ele conversou por telefone com o premiê Binyamin Netanyahu. Trump ainda avalia ajudar Israel militarmente, mas não tomou uma decisão.
“Sabemos exatamente onde o ‘Líder Supremo’ está escondido. Ele é um alvo fácil, mas está seguro lá. Não vamos matá-lo, pelo menos não por enquanto”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. Seus comentários ocorrem em um momento em que os Estados Unidos estão aumentando sua presença militar no Oriente Médio e o presidente precisa decidir se irá se envolver ou não no conflito.
“Mas não queremos mísseis disparados contra civis ou soldados americanos. Nossa paciência está se esgotando. Obrigado pela atenção neste assunto!”, acrescentou. Em seguida, escreveu: “RENDIÇÃO INCONDICIONAL!”.

O presidente a todo momento se referiu aos esforços de guerra de Israel com a palavra “nós” — todas sugestões aparentes de que os Estados Unidos poderiam entrar na guerra contra o Irã.
Ele deixou mais cedo a reunião da G-7 na segunda-feira no Canadá, em meio ao agravamento do conflito e rumores de que os EUA poderiam auxiliar Israel nos ataques ao programa nuclear iraniano.
Os comentários ocorreram em um momento em que Israel pressiona a Casa Branca a intervir militarmente no conflito com o Irã para pôr fim ao programa nuclear do país. O presidente americano há muito tempo se opõe ao envolvimento em guerras estrangeiras e expressou esperanças de um acordo negociado com o Irã.
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Sua decisão imediata é se deve ou não utilizar a maior arma convencional dos EUA — o Massive Ordnance Penetrator de 13.660 kg, um bomba anti-bunker teleguiada — para atacar a instalação de enriquecimento nuclear mais profunda do Irã.
Embora Trump tenha sugerido que os Estados Unidos controlavam os céus iranianos, o único combatente visível tem sido Israel, que tem usado caças de fabricação americana. Autoridades israelenses afirmam que conseguiram destruir grande parte das defesas aéreas do Irã.
Mais cedo, Trump disse que buscava algo “melhor do que um cessar-fogo” entre Israel e Irã — “um fim real, não um cessar-fogo”. Em declarações a repórteres no Força Aérea Um, Trump disse que queria que o Irã desistisse, mas insistiu que Teerã abandonasse qualquer esforço para desenvolver armas nucleares. “Não estou muito a fim de negociar”, acrescentou.
Netanyahu diz que não descarta matar o líder supremo do Irã, Ali Khamenei
Em entrevista à ABC News, premiê israelense respondeu sobre as relatos de que Trump havia vetado um plano para matar o aiatolá. Crédito: ABC News via AFP
Mobilização militar
Em meio à expectativa por alguma decisão de Trump, o Pentágono está ampliando sua presença militar no Oriente Médio.
Cerca de 20 aviões-tanque foram enviados dos Estados Unidos para a Europa no domingo e na segunda-feira, um movimento que as autoridades americanas associaram ao desejo dos comandantes de ter opções caso as instalações americanas próximas aos países em guerra enfrentem uma ameaça direta.
Dados de rastreamento de voos mostram que os aviões de reabastecimento, juntamente com alguns jatos de transporte pesado, decolaram de pontos nos Estados Unidos e pousaram horas depois em bases aéreas na Espanha, Grécia, Alemanha, Itália e Escócia. Entre eles estavam KC-135 Stratotankers e KC-46 Pegasuses.

Pressão interna
Também em uma postagem nas redes sociais, o vice-presidente JD Vance deu a entender que os Estados Unidos poderiam intensificar seu envolvimento no conflito. Vance disse que o Irã não precisa de combustível nuclear enriquecido acima do nível necessário para energia comercial.
Trump, escreveu ele, “tem demonstrado notável moderação”, mas “pode decidir que precisa tomar medidas adicionais para acabar com o enriquecimento iraniano”. “Essa decisão cabe, em última instância, ao presidente”, escreveu Vance.
Ao mesmo tempo em que sinalizou a possibilidade de um envolvimento americano no conflito, Vance tentou amenizar a oposição de parte da base de apoio de Trump à entrada dos americanos na guerra.
“É claro que as pessoas têm razão em se preocupar com o envolvimento estrangeiro após os últimos 25 anos de política externa idiota”, um período que abrange o primeiro mandato de Trump e os governos Bush, Obama e Biden. Mas, acrescentou, “acredito que o presidente conquistou alguma confiança nessa questão”
Politicamente, há oposição interna ao envolvimento americano no conflito e a oposição no Congresso já se mobiliza para dificultar a autorização para Trump entrar no conflito. / NYT E AFP






