Brasil já tem mais de um smartphone ativo por habitante, diz estudo da FGV

Segundo pesquisa, até o mês que vem o País terá 306 milhões em dispositivos portáteis como smartphones, notebooks e tablets em uso

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Por Mariana Lima
Atualização:
Proporção de domicílios com acesso à internet, mas sem computador, dobrou em dois anos, passando de 7% em 2014 para 14% em 2016 Foto: REUTERS/Steve Marcus

O Brasil superou a marca de um smartphone por habitante e hoje conta com 220 milhões de celulares inteligentes ativos, de acordo com a 29ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, realizada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), divulgada nesta quinta-feira, 19. 

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A pesquisa, liderada pelo professor da FGV, Fernando S. Meirelles, indica que até maio deste ano o Brasil terá 306 milhões de dispositivos portáteis em uso – além de smartphones, o número inclui notebooks e tablets. Segundo o levantamento, em dezembro do ano passado o país atingiu a marca de 210 milhões de habitantes. 

Apesar da alta, a quantidade de smartphones ativos hoje no Brasil já era estimada pelo pesquisador que não acredita que o número deve aumentar nos próximos anos. "O que deve crescer é a venda de smartphones, mas dificilmente teremos uma média de dois smartphones por brasileiro", diz Meirelles. "Se a estratégia das operadoras se manter como está, dificilmente chegaremos aos 300 milhões de smartphones ativos no País".

O pesquisador justifica o início da estabilidade com a saturação do mercado. Segundo ele, o brasileiro está em fase de troca de aparelhos por modelos mais novos, mas não está interessado em comprar um smartphone reserva.

"As vendas são de reposição porque as pessoas querem ter o celular da moda. É um momento muito mais de escolha psicológica que tecnológica", diz ao afirmar que atualmente só existem 64 milhões de aparelhos de telefone fixos ou celulares simples (feature phones).

No ano passado, diz a pesquisa, foram vendidos 48 milhões de smartphones no Brasil, contra 3,2 milhões de celulares mais simples. Para Meirelles, os números indicam que o brasileiro está trocando para aparelhos mais sofisticados, impulsionado pelo barateamento de alguns modelos de smartphones de entrada.

Com a evolução do mercado, o pesquisador acredita que o uso de smartphones irá superar o de computadores, telefones fixos e celulares mais simples em até dois anos. “Aí teremos um problema que é a necessidade de estoque de celulares mais simples para pessoas que não querem ou podem ter um smartphone”, diz.

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Computadores. Até maio deste ano, a FGV estima que teremos 174 milhões de computadores no Brasil entre computadores de mesa, notebooks e tablets. A média é de cinco computadores para cada habitante.

Segundo o estudo, a venda anual de computadores, que caiu em 2016 e ficou estável no ano passado, deve se manter em 12 milhões este ano. Isso porque apesar de ter crescido o número de vendas de computadores de mesa e notebooks, o de tablets caiu.

Um dos principais motivos para a queda nas vendas, diz a pesquisa, é o período de recessão econômica do Brasil. Outros fatores importantes estão o fato de já termos uma média de um computador por habitante e porque a vida útil do aparelho tem sido maior.

Na pesquisa, o Brasil se mantém à frente da média global de uso de dispositivos como computadores, telefones e televisores por habitantes. Mas Meirelles ressalta que os Estados Unidos, considerado país referência, tem números que são quase o dobro do Brasil.

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