CES 2022: com ausência de gigantes e público incerto, feira mira startups

Em retomada presencial inédita desde 2020, evento é esperado que seja menor em público do que antes da pandemia

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Por Guilherme Guerra
Atualização:
CES 2022 terá que lidar com ausência de gigantes e restrições de público Foto: Alex Wong/Getty Images/AFP

O retorno ao presencial da Consumer Electronics Show (CES) 2022, maior e mais tradicional feira de tecnologia do mundo, está cercado de dúvidas. Planejada para abrir ao público geral nesta quarta-feira, 5, em Las Vegas (EUA), a feira terá que lidar com a ausência de nomes tradicionais e com a presença reduzida de pessoas. 

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Em 2021, o evento ocorreu de forma inédita totalmente digital e, pouco antes de o novo coronavírus se disseminar pelo mundo, a edição de 2020 ganhou a fama de ser um dos primeiros eventos "superdisseminadores" do vírus pelo mundo, até então circulando somente na China. Em dezembro no ano passado, com o avanço da variente Ômicron, a organização foi questionada sobre a decisão de manter a edição presencial em 2022. 

Nas últimas semanas, as maiores gigantes da tecnologia do mundo (como Microsoft, Google e Amazon) canceleram presença devido a preocupações com o aumento dos casos da Ômicron, o que foi um golpe na imagem do evento. A Consumer Technology Association (CTA), organizadora da feira, não cancelou a versão presencial e passou a apostar que as startups atraiam o público fiel - nos tempos áureos, CES chegou a receber mais de 180 mil participantes em 2019. Agora a organização está mais conservadora nas estimativas. 

"Não vai ser tão alto (o público) quanto em 2020, claramente, mas as pessoas mais comprometidas com nossas regras de saúde são as que estão vindo", afirmou em entrevista coletiva o presidente executivo da CTA, Gary Shapiro, em referência às exigências para a entrada no evento: ciclo de vacinação completo contra a covid apresentado na entrada, uso obrigatório de máscaras nos ambientes internos dos hotéis em que ocorrem os estandes das empresa e oferta de testes rápidos gratuitos. "Quando anunciamos essas obrigatoriedades, perdemos uma minoria de público que pode ser chamado de antivacina, mas achamos que fizemos a melhor decisão."

Nas últimas semanas, Shapiro criticou a imprensa por noticiar as desistências e questionamentos em relação à feira. 

Para o CEO, a decisão de seguir com o evento serve para apoiar às startups, para quem, diz ele, a presença na CES 2022 é crucial para alcançar pessoas das cinco regiões do globo e ampliar negócios. Serão 2,2 mil empresas de tecnologia incluídas no evento deste ano, com apenas Samsung e Sony entre os grandes nomes confirmados para aparecer presencialmente - no passado, esse número foi de 4,3 mil. A organização afirma que menos de 10% das companhias canceleram a presença física, optando por apresentações virtuais (como em 2021).

"Os olhos da feira e do mundo não estarão direcionados para os CEOs das gigantes da tecnologia", diz Shapiro. 

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O que há na CES 2022

Para este ano, a CES 2022 planeja exibir tendências que já vinham sendo fortalecidas nos últimos anos, como inteligência artificial em software e robótica, usos do 5G,  casas inteligentes e televisores com imagens mais potentes. Mas novas áreas ganham espaço neste ano: segundo Steve Koenig, vice-presidente de pesquisa da CTA, a nova vanguarda está em quatro áreas: sustentabilidade, saúde, mobilidade e espaço.

Como exemplo, ele cita a John Deere, startup de agronegócio que usa maquinário conectado à internet para otimizar as colheitas, como diminuir uso de pesticidas por meio de inteligência artificial, reduzindo custos e causando menor impacto ao Planeta. Ou, ainda, o uso intensivo de eletrificação nas áreas de micromobilidade (curtas distâncias), logística e lazer, permitindo avanços em um setor que ainda é caro para o bolso do consumidor final.

Seguindo a tendência após o início da pandemia de covid, as startups de saúde (healthtechs) devem continuar tomando o espaço, apostando em software e hardware para oferecer melhores serviços, como coleta de exames e autodiagnóstico. E, após o sucesso dos foguetes espaciais dos bilionários Elon Musk, Jeff Bezos e Richard Branson, agora é a vez das spacetechs, diz Koenig, destacando a atuação da americana Sierra Nevada, que vende peças e soluções relativas ao espaço para empresas como a Nasa. 

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O executivo, porém, aponta para a ausência do metaverso como uma das apostas para a feira deste ano - não porque é desimportante, mas sim porque é algo que vem sendo apresentado por diversas companhias do ramo há décadas, como a própria rede social Snapchat, que, desde 2011, usa filtros de imagem para gerar "efeitos" em tempo real no ambiente capturado pela fotografia.

"O metaverso é uma série de blocos que vão sendo construídos aos poucos pelos membros da indústria", afirma. Ainda assim, ele aposta que, entre 10 e 20 anos, a experiência imersiva na internet será sinônimo de conexão entre os mundos digital e real.

*Repórter viajou a convite da Consumer Technology Association (CTA)

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