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Para se adaptar a mercado menor, Lenovo enxuga operação e troca líderes

Embora tenha se recuperado em 2017 e 2018, mercado de PCs encolheu 66% em relação ao patamar de 2013

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Por Fernando Scheller
Atualização:
RicardoBloj, que está à frente da Lenovo desde 2018: troca de 80% dos altos executivos Foto: Alex Silva/Estadão

Depois de anos de adaptação a um mercado muito mais desafiador do que o inicialmente projetado, a chinesa Lenovo, líder global na venda de computadores, chegou ao topo do varejo brasileiro de PCs, com 18,2% de participação, segundo a consultoria IDC. A vitória frente às rivais, ainda que apertada, veio em cenário difícil, pois as vendas do setor caíram a um terço do que foram em 2012.

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Apesar da expansão em 2017 e 2018, a venda de computadores – contando desktops e laptops comercializados a consumidores e empresas – hoje gira em torno de 5 milhões de unidades por ano. É um número pálido em comparação ao visto no início da década – em 2012, o mercado que comercializava 15 milhões de PCs e notebooks. 

Essa queda livre reflete tanto a crise econômica – em 2015 e 2016, o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 8% – quanto a emergência dos smartphones como aparelho preferido dos consumidores para acesso à internet. Diante desses fatores, a Lenovo foi obrigada a ser reinventar, apesar de ser dona da Motorola, que tem administração e estratégia separadas.

Esses desafios obrigaram a companhia rever sua estratégia no Brasil: a “faxina” na operação incluiu o portfólio de produtos, corte de funcionários da própria Lenovo e a devolução das fábricas e da marca CCE, compradas em 2012, por R$ 300 milhões. “A CCE era uma aposta no mercado de entrada, algo em que não focamos mais”, diz Ricardo Bloj, que assumiu a Lenovo há quase dois anos. 

Apesar de a CCE ainda produzir componentes para a Lenovo, toda a operação de varejo foi descontinuada e devolvida aos antigos donos. A chinesa opera hoje uma única fábrica, em Indaiatuba (SP) – contando produção e sede administrativa, a empresa tem hoje 700 funcionários. É cerca de metade do porte da Lenovo de cinco anos atrás – sem contar os funcionários que a chinesa deixou de ter ao desistir da CCE.

Para evitar o destino de várias marcas que desapareceram junto com dois terços das vendas, a Lenovo mudou seu comando. Saiu o perfil expansionista e entrou o de busca de eficiência. “Substituímos cerca de 80% dos cargos de liderança”, afirma Bloj, que passou a maior parte da carreira na IBM. O resultado do “choque de gestão”, segundo o executivo, já apareceram: no fim de 2018, a Lenovo chegou ao equilíbrio financeiro no País após sete anos (a companhia não revela seus dados no mercado nacional).

No segundo trimestre, a companhia assumiu a liderança no varejo. Não se trata de posição consolidada, diz Wellington La Falce, analista do IDC. “As cinco maiores do setor têm pequena diferença entre elas”, sem citar marcas. O Estado apurou que as principais rivais da Lenovo são Positivo, Samsung, Acer e Dell. A última, aliás, é a maior no setor corporativo.

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A Lenovo se afastou dos computadores de entrada como estratégia para ganhar rentabilidade. Hoje, seus produtos partem de R$ 1,5 mil. A companhia também aposta em PCs para “gamers” (de cerca de R$ 7 mil) e em máquinas corporativas de até R$ 12 mil. A companhia detém marcas que pertenciam à IBM, como a Thinkpad.

Apesar da recuperação marginal dos últimos dois anos, é pouco provável que o setor de PCs vá muito além dos patamares atuais. La Falce, da IDC, lembra que a proposta do smartphone acaba sendo mais atraente para o brasileiro. “O celular une a conexão à mobilidade.” 

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