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Startups Nomah e Casai anunciam fusão após cortar mais de 100 funcionários

Empresa brasileira e mexicana negam crise no setor de hospedagens curtas e esperam se tornar a maior companhia do setor na América Latina

Foto do author Guilherme Guerra
Por Guilherme Guerra
Atualização:

A startup brasileira Nomah e a mexicana Casai anunciam nesta quinta-feira, 18, que irão se juntar para formar uma única empresa, que deverá manter as marcas separadas nos dois países. A fusão tem como objetivo tornar a companhia o maior nome na América Latina no setor de hospedagens curtas, categoria em que ambas atuam desde 2016 e 2019, respectivamente.

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A operação terá o fundador da Casai, Nico Barawid, como CEO do grupo. Já Thomaz Guz, fundador da Nomah, atuará como presidente e ficará responsável por cuidar da integração entre as duas startups nos próximos meses — o executivo nega qualquer boato sobre eventual saída do grupo após a fusão.

“Não temos a definição de quanto tempo devo ficar na empresa. Meu comprometimento é no longo prazo”, conta Guz em entrevista ao Estadão. “Não me imagino deixando de ser parte disso.”

Em março de 2021, antes chamada Uotel, a Nomah passou por uma “limpeza de marca” após levantar R$ 50 milhões com o “unicórnio” Loft, que comprou a startup em julho de 2020 e, agora, se desfaz do negócio com a fusão.

A fusão conta com aporte adicional dos fundos a16z (Andressen Horowitz) e Monashees, além da Loft. Barawid e Guz, no entanto, não querem revelar o valor da rodada levantada.

Visando ganhar escala na região, o negócio deve totalizar 200 mil hóspedes espalhados pelo México e Brasil, com expectativa de atingir 1 milhão de clientes em 12 meses. Atualmente, as duas startups somam 3 mil unidades disponíveis para locação em São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Brasília e Fortaleza, Cidade do México, Los Cabos e Tulum.

Da esq. para dir., Nico Barawid, fundador da Casai, e Thomaz Gus, fundador da Nomah Foto: Rogerio Pallatta

Demissões antes de fechar negócio

Em negociações para fechar a fusão nos últimos meses, ambas startups realizaram demissões de funcionários.

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Há duas semanas, a Nomah cortou cerca de 28 pessoas, conforme planilha que circula na internet. Segundo depoimento ouvido pelo Estadão, as demissões eram esperadas, depois de a “empresa-mãe”, a Loft, enxugar quase 600 funcionários nos últimos meses. Aos demitidos, foram dados benefícios como extensão temporária do plano de saúde, valor adicional de vale-refeição e assinatura do LinkedIn Premium para recolocação profissional no mercado.

“A reestruturação foi realizada de forma transparente e respeitosa. Todos os colaboradores receberam um pacote especial de benefícios e apoio na transição”, diz a Nomah em comunicado enviado ao Estadão.

Já a Casai, conforme reportagem do veículo Bloomberg Línea, cortou 80 pessoas que atuavam em escritórios no Brasil e México de um total de 200 pessoas.

Concluída a fusão, Barawid e Guz descartam a possibilidade de mais reduções de funcionários nos próximos meses. Hoje, há 350 pessoas trabalhando nas duas companhias.

Os dois empresários negam que a fusão seja para evitar problemas de liquidez de caixa. Com a crise da alta dos juros e da guerra da Ucrânia, fundos de investimento de capital de risco têm desacelerado o ritmo dos cheques dados para impulsionar startups. Estas, por sua vez, têm de se ajustar ao período de escassez de capital com cortes de funcionários e enxugamento nas operações.

Entre as diversas opções, a fusão foi a melhor alternativa devido à escala e impacto

Nico Barawid, fundador da Casai

Segundo os fundadores, o setor de hospedagens curtas, em que clientes reservam imóveis para estadias mensais, tem navegado bem neste ano, com hóspedes cada vez mais acostumados ao modelo. Com atuação no Brasil, a Nomah, por exemplo, registrou seu melhor mês em julho, diz Guz.

“Olhamos para diversas opções para nos adaptarmos ao cenário macroeconômico, e a fusão foi uma dessas alternativas. De longe, foi a melhor, devido à escala e impacto de ambas as companhias”, explica Barawid à reportagem. O fundador nega que a startup mexicana tivesse enfrentado problemas para levantar rodadas nos meses anteriores.

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