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Startup Alice demite 16% dos funcionários e alega que crescimento é ‘secundário’ no momento

Healthtech oferece plano de saúde para empresas; 113 pessoas foram afetadas pelo corte

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Por Bruna Arimathea

A startup Alice foi mais uma das empresas a fazer uma nova rodada de cortes no quadro de funcionários no mês de dezembro. A healthtech, que oferece planos de saúde, demitiu 113 pessoas, cerca de 16% da empresa, confirmou a Alice em nota ao Estadão.

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A startup informou que, para o ano de 2023, o foco no crescimento é secundário e que “após uma cuidadosa revisão de estrutura”, a decisão pelo corte foi a saída para enfrentar o cenário econômico mundial e aumentar a eficiência da empresa.

“Apesar de dolorosa, estamos convictos que essa decisão tornará a Alice ainda mais forte. Temos visão de longo prazo e seguiremos cada vez mais sustentáveis”, explica André Florence, presidente da startup. “Somos muito gratos por toda dedicação desses talentosos profissionais que contribuíram para a construção da Alice e seguimos comprometidos em deixar o mundo mais saudável – missão que temos entregado com excelência até aqui”.

Em julho deste ano, a startup demitiu 63 pessoas, afirmando uma reestruturação no time da empresa. No final de 2021, a Alice recebeu um cheque no valor de US$ 127 milhões, um Série C liderado pelo SoftBank. Desde então, a empresa buscou se fortalecer no mercado corporativo, para oferecer os planos de saúde para funcionários de empresas.

Após as demissões de julho, a empresa ainda inaugurou mais um escritório em São Paulo — de acordo com Sarita Vollnhofer, responsável pela área de pessoas da healthtech, o motivo era a contratação de mais pessoas para o time.

“Em 2019 (quando a Alice foi fundada), a gente tinha menos de 100 pessoas no nosso time, mas agora, depois da pandemia, já temos 700 colaboradores”, afirmou Sarita ao Estadão em outubro, quando a startup inaugurou o novo escritório.

Com as demissões, o número de funcionários da empresa não deve ultrapassar 600 pessoas, de acordo com dados levantados pela reportagem.

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Crise nas startups

Conhecidas por contratar centenas de funcionários ao mês, as startups têm realizado centenas de demissões pelo mundo – o fenômeno não é exclusivo do Brasil. O período tem sido batizado de “inverno das startups”, após a onda positiva causada pela digitalização da pandemia nos últimos dois anos.

Segundo especialistas consultados pelo Estadão nos últimos meses, as demissões ocorrem como reajuste de rota em meio à alta global nos preços e à guerra da Ucrânia, que desorganiza a cadeia produtiva mundial. Nesse cenário, investidores viram as costas para investimentos de risco, como startups. Com isso, levantar rodadas tem sido mais difícil do que durante a pandemia, quando o apetite dos investidores por risco era maior.

O processo tem sido especialmente duro com as startups maiores, que estão no momento conhecido como “late stage”. Nesse estágio de maturidade, as empresas queimam dinheiro velozmente na tentativa de crescer e ganhar mercado - sem o dinheiro, elas precisam preservar caixa para sobreviver.

Entre os unicórnios nacionais que já fizeram demissões em massa em 2022 estão 99, Loggi, QuintoAndar, Loft, Facily, Vtex, Ebanx, MadeiraMadeira, Mercado Bitcoin, Olist, Unico, Hotmart, Dock e Wildlife. A mexicana Kavak, maior unicórnio da América Latina, também fez cortes severos na operação brasileira.

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