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Toren e o apoio da Lei Rouanet

Por João Coscelli
Atualização:

A indústria brasileira do desenvolvimento esteve em festa nas últimas semanas com a notícia de que a Swordtales, desenvolvedora do sul do país, conseguiu o aval do Ministério da Cultura para financiar seu jogo de aventura, Toren, por meio de recursos captados pela Lei Rouanet, também conhecida como a lei de incentivo à cultura.

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Vitor Leães, produtor do game, porém, explica em que pé está o processo e afirma que o dinheiro ainda não chegou ao estúdio. "A Lei Rouanet não nos dá dinheiro. Ela nos dá permissão para captar recursos a partir de patrocínio", esclarece. Em resumo, a Swordtales precisa correr atrás desse apoio. O Ministério da Cultura aprovou que os produtores busquem R$ 370 mil na forma de patrocínio, que expõe marca dos apoiadores no produto final. Segundo Leães, a produtora busca empresas estatais e do ramo de tecnologia e inovação que estejam interessadas em financiar o Toren. O tempo de captação de recursos é de dois anos.

O produto cultural não é financiado diretamente pelo Minstério da Cultura e há uma série de etapas até o dinheiro chegar efetivamente aos produtores. O projeto é elaborado e submetido à aprovação dos avaliadores, que questionam cada detalhe sobre como determinados valores serão usados. Essa equipe ainda pode contestar alguns aspectos, dependendo do que julgar necessário ou não, e reduzir o total solicitado. Quando o plano é aprovado, os seus proprietários são liberados para buscar doadores e patrocinadores, podendo ou não conseguir a verba para seguir adiante. Os apoiadores, por sua vez, podem abater parte dos recursos investidos de seu imposto de renda do ano seguinte. Quanto é deduzido depende do valor investido na produção.

A Lei Rouanet passou a abranger projetos de jogos digitais a partir de 2011. O projeto do Toren foi elaborado no ano passado e tramitou pelos órgãos públicos competentes até que foi aprovado em fevereiro. Este, porém, não foi o primeiro game beneficiado pela lei. Antes, a Rock Head Games, também de Porto Alegre, conseguido a aprovação para captar recursos para um título educativo, mas o jogo não saiu do papel.

Leães disse que estudou outros métodos para acelerar o desenvolvimento do Toren, como crowdsourcing e parcerias com publishers internacionais, mas não obteve sucesso. "Estamos contatando diversas empresas e temos uma parceria com a ACIGames para captar recursos. O patrocinador vai apoiar um projeto cultural, terá visibilidade", diz, explicando que a verba inclui participações em eventos de games e outras ações de divulgação.

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Para convencer os patrocinadores, a equipe expõe os planos de comercializar o jogo internacionalmente por tempo indeterminado em lojas digitais. O objetivo é claro - chegar ao Steam, serviço de venda de jogos da Valve. Até lá, porém, o estúdio vai produzir versões para PC, Mac e Linux que poderão ser baixadas por outras plataformas.

O mérito do game, diz Leães, é ser lúdico. Toren - que quer dizer "torre" em holandês - é uma aventura em que o jogador controla uma princesa que precisa escapar da torre onde está presa. Conforme ela escala as paredes, o tempo passa e a personagem envelhece, assim como a cresce árvore que a acompanha na jornada. Além disso, todo tipo de informação que o jogador precisa é passada na forma de poemas. "A gente acredita que não é qualquer jogo que deva ser incentivado pela Lei Rouanet. Um jogo de ação com zumbis não tem o enfoque que o Ministério da Cultura procura. Isso chamou a atenção deles para nosso game", avalia.

Apesar de ainda ter um longo caminho a percorrer, a Swordtales, que ainda tem como integrantes Alessandro Martinello (diretor criativo),  Conrado Testa (diretor de animação) e Luiz Alvarez(programador), conseguiu um feito. O fato de ter um grande projeto aprovado pela lei de incentivo à cultura vai abrir portas para que demais estúdios sigam a mesma rota, segundo Leães. "A primeira etapa é a aprovação, o que não é difícil. O grupo que for organizado consegue. Captar recursos que é complicado. Temos ajudado quem está tentando fazer o mesmo, muitas pessoas estão perguntando e estamos orientando todos", finaliza.

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