Ata do Copom sugere estabilidade dos juros

Documento menciona recuperação gradual da economia, capacidade produtiva ainda pouco utilizada e pressão inflacionária contida até 2010

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

30 Outubro 2009 | 00h00

Recuperação gradual da economia, capacidade produtiva ainda pouco utilizada e pressão inflacionária "contida" até 2010. Esse é o diagnóstico do Banco Central registrado ontem na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidiu na semana passada manter a taxa básica de juros (Selic) em 8,75% ao ano. O documento, que repete a maior parte do conteúdo da ata de setembro, indica que a Selic não será alterada no curto prazo.

"Diante da margem de ociosidade da economia e do comportamento das expectativas de inflação para horizontes relevantes, continuaram favoráveis as perspectivas de concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA seguiria exibindo dinâmica consistente com a trajetória das metas", registrou a ata. O documento ressalta que as projeções elaboradas pelo BC mostram que o IPCA para 2009 e 2010 não vai superar 4,5%.

Apesar de traçar um cenário tranquilo para a inflação, o BC, presidido por Henrique Meirelles, lembra que existem incertezas sobre essa trajetória, porque não se sabe qual é o ritmo de recuperação da economia. Essa dúvida está relacionada ao fato de que os efeitos dos cortes de juros realizados no primeiro semestre e também os chamados "impulsos fiscais" - como desonerações tributárias e aumento de despesas do governo - ainda não se esgotaram.

"De qualquer forma, nesse quadro de retomada gradativa, que tem sido corroborado pelos dados disponíveis até o momento, as pressões inflacionárias devem seguir contidas", diz a ata.

Esse trecho é mencionado pela economista-chefe da Bradesco Asset Management (BRAM), Ana Cristina da Costa, para corroborar a avaliação que o BC enxerga uma pressão de alta nos preços comedida e que não representa, pelo menos por enquanto, risco para o cumprimento das metas. "Salta aos olhos a percepção que a economia está em retomada, mas que as pressões não preocupam a autoridade monetária."

Para Cristina, o texto não revela preocupação de curto prazo. "Isso mostra que há grande espaço para a manutenção da política monetária." Para ela, o texto reafirma o prognóstico de boa parte do mercado que não há urgência em se elevar o juro. Ela aposta que a Selic deve começar a subir apenas a partir de meados de 2010. Pelas contas da BRAM, a Selic deve começar a subir em julho de 2010, quando terá alta de 0,25 ponto porcentual, e deve terminar o ano em 10%.

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