Beija-Flor encerra o Carnaval com Sapucaí a seus pés

Última escola a desfilar nasegunda-feira, a Beija-Flor pode mais uma vez chegar emprimeiro no Grupo Especial do Carnaval carioca, depois de levarpara a avenida animação, luxo, criatividade nas coreografias eo melhor refrão do dia, cantado em coro pela Marquês deSapucaí. Além da escola de Nilópolis, Imperatriz Leopoldinense eGrande Rio são outras do segundo dia de desfiles que têmchances de voltar no sábado das campeãs. Cantado com força e cumplicidade pelas arquibancadas ecamarotes, o samba-enredo da Beija-Flor sobre Macapá, quepoderia aborrecer o público, foi tratado de forma inovadorapelos carnavalescos Alexandre Louzada, Fran-Sérgio, Laíla eUbiratan Silva. "O meu valor me faz brilhar; Iluminar o meu estado deamor; Comunidade impõe respeito; Bate no peito eu souBeija-Flor", foi o refrão cantado com mais entusiasmo pelopúblico durante toda a noite de desfiles. Coreografias como a que simulou a pororoca e peixesnadando em meio a um mar de espuma branca também contagiaram aplatéia, já nas primeiras horas de terça-feira. Torcedor daescola ou não, o público encerrou a festa da Sapucaí em 2008batendo no peito dizendo ser Beija-Flor. Aberto pela contagiante bateria da Mocidade Independente dePadre Miguel, apesar de acompanhada de um samba morno e dainvasão de cores na escola verde e branca, o segundo dia dedesfiles teve ainda destaques isolados, como a concentração derainhas de bateria famosas, que como sempre roubaram a cenaatraindo todos os holofotes do início ao fim dos desfiles. Estreante na avenida, a Miss Brasil 2007, NatáliaGuimarães, confessou estar mais nervosa para entrar na Sapucaído que na passarela que lhe elegeu a mais bonita do país. "Mas o Carlinhos de Jesus disse que eu estava preparada, ese ele disse eu estou", afirmou a mineira, rainha de bateria daVila Isabel, antes de entrar na avenida. A escola da terra de Noel Rosa porém não aproveitou bem asua rainha ao escolher um samba morno e um tema enfadonho,"Trabalhadores do Brasil", que teve até ministro entre ospassistas. "Eu fui um dos criadores da Sapucaí, junto com o Brizola.Eu tenho a minha escola do coração, mas hoje eu sou VilaIsabel", disse o ministro do Trabalho, Carlos Luppi. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT),Artur Henrique, também era esperado para o desfile, mas umproblema no joelho o deixou de molho no camarote da escola,segundo organizadores. Uma pane no último carro da agremiação, que trazia a velhaguarda, provocou um enorme buraco na avenida bem em frente aosjurados, o que tira da Vila qualquer chance de conquistar ocampeonato. RAINHA LUIZA A veterana Luiza Brunet, desfilando pela ImperatrizLeopoldinense, mostrou porque é rainha aos 45 anos e não deixounada a dever nem a Natália nem a Grazi Massafera, da GrandeRio, que também fez bonito no seu segundo ano na avenida. A presença de Luiza, aliada aos cuidados da carnavalescaRosa Magalhães com seu enredo sobre a família real "Joãos eMarias" -- sem patrocínio da Prefeitura, ao contrário deMocidade e a São Clemente que abriram os dois dias de desfilecom o mesmo tema --, garantiram à Imperatriz uma passagemcorreta e com luxo na dose certa. Adriane Galisteu, da Unidos da Tijuca, encarnou com vontadea guardiã dos seres mágicos da floresta, ou seja, os duendes emque foram transformados todos os componentes da bateria que aseguiam. Os personagens faziam parte do enredo sobre coleçõesda escola do Borel, que mostrou a importância do assunto para asociedade lembrando dos jardins botânicos, zoológicos,bibliotecas e encerrou o desfile com um carro representando oMuseu do Louvre, de Paris. Nas alas sobre coleções de brinquedos, o destaque foram osursinhos de pelúcia representados por homens, gays ou não, masfazendo uma referência aos chamados "bears" (urso em inglês),uma categoria de gays gordinhos e peludos. Na Grande Rio, apesar da boa receptividade do público, osamba sobre o gás natural produzido pela Petrobras na Amazônianão empolgou. Já alguns carros mereceram aplausos, como um noinício do desfile que lembrava o nascimento do universo comevoluções da Intrépida Trupe e o último carro, de 28 metros,reproduzindo robôs do projeto Piatã, que flutuam na água. Os sambas, aliás, não ajudaram em nada as escolas nasegunda-feira, com exceção da Beija Flor e Imperatriz, o quenão ocorreu no primeiro dia de desfile, com Mangueira, Portela,Salgueiro e Viradouro empolgando o público e deixando a avenidacom o sabor do dever cumprido. Sem muitos concorrentes, a Beija Flor terminou o dia comopreferida e aos gritos de "é campeã", os mesmos que no diaanterior embalaram a Portela e, como em todos os anos, aMangueira. No outro lado da corda, com risco de voltar para oGrupo de Acesso, estão São Clemente e Porto da Pedra, que,apesar de terem conquistado o público, pecaram pelasimplicidade dos carros e fantasias quando comparadas àsmaiores agremiações.

DENISE LUNA, REUTERS

05 de fevereiro de 2008 | 07h34

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