Bispos e governo de Cuba discutem assistência a estudantes

Educação e meios de comunicação estavam na pauta, mas não foram discutidos

José Maria Mayrink, enviado especial

13 Julho 2007 | 00h40

O Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) abriu uma frente de diálogo com o governo comunista de Cuba, 24 horas após a eleição do brasileiro d. Raymundo Damasceno Assis para a presidência do organismo, a fim de discutir as relações da Igreja com o regime de Fidel Castro, especialmente a questão da assistência religiosa, da educação e do acesso aos meios de comunicação. Os dois últimos temas, no entanto, não chegaram a ser abordados na reunião de quinta-feira, 12.Com a coordenação do arcebispo de Havana, cardeal Jaime Ortega, quatro cardeais, sete bispos e o núncio apostólico em Cuba se reuniram por duas horas e meia com a chefe do Escritório de Assuntos Religiosos, Caridad Diego, e quatro membros da cúpula do governo, durante recepção diplomática oferecida pelo episcopado na Casa Sacerdotal São João Maria Vianney, perto da Praça da Revolução."Foi uma boa reunião, saímos todos muito contentes", declarou Caridad ao Estado, ao deixar o prédio. O arcebispo de Havana e o cardeal Oscar Andrés Rodríguez, de Honduras, também disseram que o encontro foi muito bom para as duas partes.Um dos principais temas das negociações foi a assistência religiosa aos estudantes latino-americanos, cerca de 10 mil, que fazem Medicina e outros cursos superiores em Cuba. "Argumentamos que, sendo em sua maioria católicos, esses jovens gostariam de ter facilidades para praticar a religião", informou o cardeal de Honduras. As autoridades cubanas concordaram. Depois, fizeram detalhada exposição sobre a situação atual do país. Não se falou uma palavra sobre a saúde de Fidel Castro.Segundo o vigário-geral da Arquidiocese de Havana, padre Carlos Manuel de Céspedes, as duas questões fundamentais nas relações da Igreja com o regime comunista são a educação e o acesso aos meios de comunicação. Esses assuntos não chegaram a ser discutidos, porque os bispos acharam mais urgente tratar da assistência religiosa aos estudantes. Desses, 650 são brasileiros.A Casa São João Maria Vianney funciona num antigo convento que pertenceu às Irmãs Dominicanas até a Revolução de 1959. O colégio que as freiras tinham ao lado foi confiscado pelo Estado e transformado no Instituto Politécnico de Gastronomia e Economia. Continua aberta, no entanto, a Paróquia de Santa Catarina de Sena, no mesmo complexo.

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