Brasil e EUA mantêm divisão sobre eleição em Honduras

A polêmica eleição de domingo em Honduras pode causar um atrito entre Estados Unidos e Brasil sobre reconhecer ou não o vencedor do pleito, promovido pelo governo de facto que tomou o poder no país depois do golpe de junho.

MICA ROSENBERG E GUSTAVO PALENCIA, REUTERS

30 de novembro de 2009 | 10h30

O conservador Porfirio Lobo venceu a eleição por ampla margem, mas terá dificuldades para ser reconhecido como tal na América Latina, onde muitos governos esquerdistas exigiam a restituição do presidente Manuel Zelaya para cumprir o restante do seu mandato.

Já os EUA veem a eleição como a melhor forma de superar a crise de Honduras. Sem reconhecer explicitamente a vitória do oposicionista Lobo, o Departamento de Estado divulgou nota afirmando que a votação foi "um passo necessário e importante à frente".

O Brasil, por sua vez, cada vez mais influente por causa da sua boa fase econômica, "irá manter sua posição (de não reconhecer a eleição), porque não é possível aceitar um golpe", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo.

Zelaya está há mais de dois meses refugiado na embaixada brasileira em Tegucigalpa.

Além de causar um isolamento internacional de Honduras, a crise também ameaça as tentativas do governo de Barack Obama de "relançar" as relações com a América Latina, onde hoje predominam governos de esquerda.

Argentina e Venezuela, por exemplo, se opõem à eleição hondurenha, enquanto Panamá, Peru e Costa Rica devem reconhecê-la.

Com 55 por cento dos votos apurados até agora, Lobo declarou vitória, enquanto seu adversário Elvin Santos, com 38 por cento, admitiu a derrota.

Lobo, um latifundiário conservador, de 61 anos, disse que pedirá a outros países que lhe reconheçam como presidente.

"Estamos preparados para procurá-los e pedir a eles que entendam que há um governo que foi eleito, que esse é o desejo preciso dos hondurenhos nas urnas, e que esta é uma democracia e que devemos todos respeitar a liderança dos países", disse ele, reivindicando também a retomada da ajuda internacional que foi bloqueada por causa do golpe.

O presidente-eleito, que toma posse em janeiro, tem agora de decidir o que fazer com Zelaya. Ele pode tentar negociar uma anistia política para o presidente deposto e os principais envolvidos no golpe, a fim de atenuar a profunda divisão do país.

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