''Brasil quer criar clima de Fla-Flu sobre medicamentos genéricos''

Os desdobramentos da reclamação feita pelo Brasil contra a União Europeia na Organização Mundial do Comércio (OMC) revelam a vontade de criar um clima de "Fla-Flu" envolvendo genéricos, avalia o presidente da (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa) Interfarma, Antonio Britto. "Estão querendo criar um tabu", disse ele, que representa os 30 maiores laboratórios farmacêuticos instalados no País.

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2010 | 00h00

Anteontem, o Brasil deu o primeiro passo para abertura de painel na OMC contra a UE. A medida é uma reação à apreensão, em 2008, de carregamento do anti-hipertensivo Losartan, comprado pela brasileira EMS na Índia. O remédio, genérico no Brasil e na Índia, mas não na Holanda, foi retido em Roterdã.

"Trata-se de um problema de direito internacional. Uma discussão sobre o direito de apreensão de produtos em trânsito por autoridades aduaneiras", diz Britto.

Para ele, o episódio do Losartan é só um caso específico. "A preocupação das autoridades é com as apreensões de todos os produtos, não está limitada aos medicamentos." Britto afirmou que grandes farmacêuticas não têm interesse em reduzir o trânsito de genéricos.

Gabriela Chaves, representante do Movimento Médicos sem Fronteiras, afirma: "A diretiva da UE que legitimou as apreensões vai além do que é determinado pelo Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio."

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