Casa da Mãe completa três anos no RJ

A massoterapeuta Eva Wilma Diniz Ferreira, de 32 anos, vive há um mês em um alojamento com outras mulheres que não conhece. Não reclama da falta de privacidade, das horas ociosas, da falta que sente de casa. Ela é uma das hóspedes da Casa da Mãe, setor anexo ao Hospital da Mulher Heloneida Studart, referência para gestações de risco no Estado do Rio. Eva Wilma está ali para acompanhar o filho Gabriel, que nasceu há dois meses, prematuro de 35 semanas, e com perfuração intestinal. O menino, ainda internado na Unidade Intermediária (UI), já passou por duas cirurgias. Semana passada, Eva começou a amamentá-lo e está escrevendo um livro sobre a experiência.

CLARISSA THOMÉ, Agência Estado

07 de março de 2013 | 20h17

A Casa da Mãe, serviço pioneiro no Estado, completa 3 anos na sexta-feira (8). Entre a inauguração e fevereiro passado, 595 mulheres hospedaram-se ali - apenas seis deixaram o hospital sem seus filhos, que não resistiram. "Não existe nada científico sobre o benefício da proximidade das mães, mas atendemos aqui bebês muito prematuros, alguns nasceram com pouco mais de 500 gramas, um grau de complexidade altíssimo, e mesmo assim conseguimos esse índice de apenas 1% de mulheres que deixam a casa sem os filhos. É um resultado excelente", ressalta o diretor geral do hospital, Claudio Borges Moraes.

Localizado em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, o hospital recebe mulheres de todo o Estado. Para que as mães de localidades mais distantes pudessem acompanhar seus filhos, foi criada a Casa da Mãe. São três quartos, com cinco camas cada e armários individuais. Há uma sala de estar, onde assistem à tevê, ou recebem aconselhamento de terapeutas, assistentes sociais, enfermeiras. A alimentação é fornecida pelo hospital. Há ainda uma pequena lavanderia. A UTI e UI do hospital ficam permanentemente abertas às mães. Não há hora de visita. "A gente vê uma resposta diferenciada da criança que recebe o toque da mãe, sente a presença pela voz. E, depois, quando é amamentada. Não há ligação maior", afirma Moraes.

Entre os critérios para ficar na casa está a distância - a hospedagem é prioritária para quem vive a mais de 50 quilômetros do hospital. Mas há exceções. Já teve hóspede que morava mais perto, mas tinha dificuldades de se locomover. Fabiane Pereira, de 18 anos, mora num bairro vizinho ao hospital, numa área controlada pela milícia, com toque de recolher. "Eu não ia poder vir para cá, eu não poderia ficar com ele, como fico hoje", conta.

Fabiane estava grávida de 7 meses, quando levou um tombo e entrou em trabalho de parto. "Era uma gravidez de risco porque meu útero é infantil. Mesmo assim, consegui ter parto normal". Apesar de atender casos de alta complexidade, o hospital consegue manter a meta de cesárias (no máximo, 45% dos procedimentos). A vendedora Priscila de Souza Pinto, de 29 anos, está na casa enquanto o filho, Miguel, ganha peso. Ele nasceu de parto normal, na 36ª semana de gestação, com 1,865 kg. "Ele ainda respira fraquinho e está com a sonda. Mas eu posso tocá-lo, alisá-lo. Essa presença é importante porque dá força para mim e para o neném. Ele sabe que é amado".

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