Cerveja da Casa Branca vira brinde eleitoral de Obama

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, introduziu um novo tipo de brinde na campanha eleitoral do país - a cerveja produzida na Casa Branca.

MARGARET CHADBOURN, Reuters

15 de agosto de 2012 | 21h38

Em viagem de ônibus pelo estratégico Estado de Iowa, na terça-feira, o presidente entregou uma garrafa da cerveja, chamada White House Honey Ale, a um cliente de uma cantina em Knoxville. O presente foi dado quando a conversa desviou para o tema cerveja.

Embora seja a primeira vez que essa cerveja vira protagonista da campanha, um funcionário da Casa Branca disse que o presidente e a primeira-dama costumam de vez em quando levar nas suas viagens algumas garrafas da bebida produzida na pequena cervejaria da sede do governo.

Chefs da Casa Branca usam receitas tradicionais para produzir a cerveja, que vem nas versões clara e escura. Um dos ingredientes usados é o mel extraído da colmeia mantida pela primeira-dama na parte sul do terreno.

O contribuinte americano não paga a conta da cerveja, pois os equipamentos e matérias-primas são incluídos nas despesas pessoais da família Obama, segundo o funcionário da Casa Branca que comentou o assunto.

A cerveja tem sido assunto recorrente nos compromissos eleitorais de Obama nesta semana. Na terça-feira, ele disse num evento na localidade de Waterloo que havia almoçado costeleta de porco e cerveja na Feira Estadual de Iowa. Um gaiato, vendo a cena, gritou "Four more beers?" ("mais quatro cervejas?"), num trocadilho com a expressão "four more years" ("mais quatro anos", período do eventual segundo mandato do democrata).

O gosto pela cerveja contribui para que Obama transmita uma imagem de homem do povo - algo que seu rival republicano, Mitt Romney, não poderia fazer, já que segue a religião mórmon e, como tal, não consome álcool.

Mas o democrata não é o primeiro presidente dos EUA a ser um apreciador assumido das bebidas alcoólicas. Os pais fundadores usavam várias delas - cerveja, whisky ou ponche de rum - durante suas campanhas eleitorais. George Washington, primeiro presidente do país, fazia promessas eleitorais enquanto seus possíveis apoiadores se embebedavam; depois do mandato, tornou-se o maior fabricante de whisky da jovem nação.

Na época de Thomas Jefferson, a Casa Branca estava sempre abastecida com vinhos importados. Franklin D. Roosevelt gostava de tomar martinis, e Bill Clinton bebia vodka Grey Goose com gelo no Café Milano, na capital.

Nem mesmo durante a Lei Seca (1920-23) a Casa Branca ficou totalmente sóbria. Na época, o presidente Warren G. Harding escondia uma vasta coleção de garrafas que abasteciam seus famosos coquetéis.

Garrett Peck, historiador que pesquisa a relação dos norte-americanos com o álcool, disse que uma foto de Ronald Reagan com uma taça de vinho branco se tornou um "momento definidor" na aceitação do consumo de álcool pelos presidentes. Segundo ele, o hábito vem se tornando mais aceitável, e dessa forma mais presidentes passaram a ser vistos bebendo.

(Reportagem adicional de Lauren French)

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