Decisão deve ser respeitada, diz Jobim sobre caso Dorothy

Fazendeiro acusado de mandar matar missionária, que estava preso, foi absolvido em novo julgamento na 3ª

Felipe Werneck, Agência Estado,

08 de maio de 2008 | 14h22

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse nesta quinta-feira, 8, que decisões tomadas pela Justiça "têm de ser respeitadas", ao comentar a absolvição do fazendeiro Vitalmiro Bastos Moura, o Bida, acusado de ser o mandante do assassinato da missionária norte-americana naturalizada brasileira Dorothy Stang, pela 2ª Vara do Júri de Belém. "Se começarmos a desqualificar nossas instituições porque os outros pensam mal delas, teremos grandes problemas", declarou o ministro, quando indagado sobre a repercussão internacional da absolvição.  Veja Também:Após caso Dorothy, Câmara avalia lei sobre 2º julgamentoPromotor vai recorrer da absolvição no caso Dorothy StangAbsolvição de acusado deve ser corrigida, diz OAB Opine sobre a decisão  Júri absolve fazendeiro acusado de mandar matar DorothyEntenda o caso da missionária Dorothy Stang   Acusado de assassinar Dorothy Stang se contradiz ao depor  A decisão foi criticada ontem por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência. Ex-presidente do STF, Jobim disse que "cabe a eles (2ª Vara do Júri de Belém) decidir". "Como advogado que fui, juiz e político, sei muito bem que as decisões tomadas pelos tribunais são em cima do processo. Não tenho opinião a emitir", disse. Indagado se ficou surpreso, ele declarou: "não, absolutamente. Tive longa experiência no Tribunal de Júri e sei perfeitamente que essas coisas acontecem. Faz parte das instituições democráticas". A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também criticou a absolvição e o promotor do caso já avisou que vai recorrer. A decisão também revoltou a família da vítima e entidades de direitos humanos presentes no salão do júri na noite da última terça-feira.  Este foi o segundo julgamento de Vitalmiro Moura, condenado em maio do ano passado a 30 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado. O fazendeiro, que estava preso desde 2005, foi libertado já na noite da última terça, após o resultado do julgamento. Rayfran Sales, que confessou ter sido o executor da missionária, também foi julgado na última terça e teve a pena de 28 anos de prisão confirmada.  O júri que absolveu Bida era formado por seis homens e uma mulher. Eles acataram a tese da defesa de negativa de autoria de mando do crime. O que pesou na absolvição foi o depoimento do pistoleiro favorável ao fazendeiro, assumindo sozinho a autoria do crime. A defesa de Moura festejou a absolvição juntamente com os familiares do fazendeiro. A missionária Dorothy Stang foi morta com seis tiros em Anapu, a 300 quilômetros da capital paraense, em fevereiro de 2005. Ela trabalhava com a Pastoral da Terra e comandava o programa em uma área autorizada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

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