Grito de Tarzã não pode ser patenteado, diz UE

Batalha judicial com herdeiros do criador de personagem durou 10 anos.

Márcia Bizzotto, BBC

01 de novembro de 2007 | 12h45

O grito que marca a identidade do personagem Tarzã há décadas poderá ser utilizado sem restrições por qualquer pessoa ou empresa em toda a União Européia. Depois de uma batalha judicial que se arrastou por dez anos, o Escritório para Harmonização do Mercado Interno (OAMI, na sigla em inglês), responsável pelo controle de patentes no bloco, decidiu que o som símbolo do rei das selvas não cumpre os requisitos para ser uma marca registrada, como solicitavam os herdeiros do americano Edgar Rice Burroughs, criador do personagem.Se o pedido fosse aceito, a empresa Burroughs poderia faturar milhões de euros vendendo os direitos autorais do grito de Tarzã para campanhas publicitárias, jogos de vídeo, brinquedos, sons de telefone e outros fins.Entretanto, a OAMI alega que o grito criado para o personagem não se enquadra na legislação européia, que permite o registro de sons que possam ser representados em notas musicais.A organização também afirma que o documento, encaminhado por R G C Jenkins & Co, uma companhia londrina de propriedade intelectual que representa a empresa de Burroughs, não explica claramente como é o som.O texto do pedido inclui um gráfico representando a variação de frequência do grito e explica que a "marca" de Tarzã "consiste em cinco fases distintas: uma nota sustentada, seguida por uma ululação, seguida por outra nota sustentada numa freqüência mais alta, seguida por ululação, seguida por uma nota sustentada na freqüência inicial"."A partir dessa imagem é impossível reconhecer se o fenômeno sonoro descrito é uma voz humana ou outra coisa. Por exemplo, o som de violinos, de sinos ou dos latidos de um cão", a OAMI concluiu no final de setembro.Mas o escritório londrino não dá a luta por terminada: dará entrada em um novo processo, desta vez incluindo um arquivo sonoro do famoso grito, como permitem novas regras européias."Qualquer pessoa entre 5 e 105 anos que escute esse som saberia que é Tarzã", Stephen James, um dos sócios de R G C Jenkins & Co, disse ao jornal britânico The Times. A dificuldade é "colocar um som no papel", lamentou.Burroughs mencionou o grito de Tarzã pela primeira vez em seu livro Tarzã dos Macacos, lançado em 1913. O personagem estreou no cinema em 1918, mas foi o nadador Johnny Weissmüller quem interpretou o primeiro Tarzã do cinema falado, em 1932. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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