Igreja se preocupa com queda na participação de fiéis

Em apenas 20 anos, proporção dos católicos na população brasileira teria caído de 83,3% para 67,8%

JOSÉ MARIA MAYRINK , ENVIADO ESPECIAL / APARECIDA (SP) , O Estado de S.Paulo

21 Abril 2012 | 03h05

À espera dos dados coletados pelo Censo de 2010, os 335 bispos que participam da 50.ª Assembleia-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estão assustados com a queda do número de católicos, de 83,34% dos brasileiros para 67,84%, nos últimos 20 anos.

Segundo o jesuíta Thierry Guertechin, do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento (Ibrades), organismo vinculado à CNBB, as informações coletadas pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE) podem mostrar um quadro ainda pior para a Igreja.

Padre Thierry apresentou ao episcopado um quadro das religiões baseado em levantamento da Fundação Getúlio Vargas e das Pesquisas de Orçamentos Familiares do IBGE, resultado de entrevistas com 200 mil famílias realizadas antes do Censo. "Há algumas distorções que espero serem corrigidas pelas estatísticas do IBGE, que ouviu cerca de 20 milhões de brasileiros", disse. Os dados disponíveis subestimam a queda da porcentagem de católicos e o crescimento de igrejas evangélicas pentecostais.

Para o cardeal d. Cláudio Hummes, ex-prefeito da Congregação do Clero no Vaticano e ex-arcebispo de São Paulo, "não basta fazer uma bela teologia em pequenos grupos se os católicos que foram batizados não são evangelizados". Lembrando que o papa Bento XVI está preocupado com a descristianização em todo o mundo, a começar pela Europa, d. Cláudio afirmou que "é preciso começar pelo começo" no esforço para garantir a perseverança dos católicos e reconquista daqueles que abandonaram a Igreja.

De acordo com os dados apresentados pelo padre Thierry, os evangélicos representam 21,93% da população, enquanto 6,72% declaram não ter religião e 4,62% dizem praticar religiões alternativas. Em sua avaliação, essas porcentagens teriam de ser analisadas com mais rigor, porque refletem um quadro confuso na denominação das crenças. O termo católico aparece em sete igrejas, incluindo a Igreja Católica Romana, enquanto os evangélicos são identificados com mais de 40 denominações.

O grupo mais numeroso depois dos católicos é o da Assembleia de Deus, com 5,77%. "O número de seguidores de Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, que aparece com 1% nas pesquisas, é na realidade maior", estima. O padre alerta também para outro fator de distorção, que é o fato de pessoas ouvidas nas pesquisas declararem terem uma religião, mas frequentam mais de uma igreja.

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