Líder da Coreia do Norte consolida poder sobre o Exército

O líder máximo da Coreia do Norte, Kim Jong-un, foi promovido a marechal do Exército, principal patente militar norte-coreana, consolidando seu poder sobre o isolado e miserável país, cujas Forças Armadas têm 1,2 milhão de componentes.

JACK KIM, Reuters

18 de julho de 2012 | 10h01

A decisão foi tomada na terça-feira e noticiada no dia seguinte pela imprensa estatal, e ocorre depois do expurgo do antigo chefe do Estado-Maior, general Ri Yong-ho.

Kim, que tem menos de 30 anos, assumiu o poder na Coreia do Norte em dezembro, após a morte do seu pai, Kim Jong-il. Ele já é o chefe do Partido dos Trabalhadores da Coreia e primeiro-presidente da Comissão de Defesa Nacional.

Antes de Kim Jong-il, o país foi governado pelo avô do atual líder, Kim Il-sung, herói da resistência aos invasores japoneses na 2a Guerra Mundial, e fundador do regime comunista instaurado depois disso. Kim Il-sung, com quem Kim Jong-un tem notável semelhança física, continua sendo venerado como eterno presidente do país.

"O culto à personalidade cercando a família Kim realmente foi transferido para Kim Jong-un", disse Daniel Pinkston, da consultoria International Crisis Group, que esteve neste mês no país e conversou na terça-feira com jornalistas em Seul.

A China, única aliada relevante da Coreia do Norte, evitou uma congratulação ostensiva a Kim pela nova patente. "China e Coreia do Norte são vizinhas amistosas, e desejamos um suave desenvolvimento de todas as tarefas na Coreia do Norte sob a liderança do camarada Kim Jong-un e do Partido dos Trabalhadores da Coreia", disse nota da chancelaria chinesa.

Além de reforçar seu poder junto aos militares, Kim Jong-un vem se esforçando para transmitir uma imagem menos sisuda do que seu pai. Após o final do período de luto oficial, ele já foi mostrado na imprensa estatal rindo com encarquilhados generais, gesticulando com satisfação num desfile militar e, para surpresa de muitos, falando em público. A maioria dos norte-coreanos nunca ouviu a voz do pai dele.

Num fim de semana, ele apareceu em um show musical ao lado de uma jovem misteriosa, e aplaudiu com entusiasmo a apresentação de canções de rock.

Além de se promover a marechal e destituir o general Ri, o regime de Kim também promoveu a vice-marechal um oficial relativamente jovem e desconhecido, Hyon Yong-chol. Analistas dizem que essas medidas indicam uma mudança de geração no entorno do jovem líder, mas sem sinalizar mudanças substanciais nas políticas do país.

(Reportagem adicional de Ju-min Park e Ben Blanchard, em Pequim)

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