MEC define mudança na correção da redação do Enem

Discrepância entre notas de avaliadores deverá ser, no máximo, de 200 pontos; ministro critica greve nas universidades

RAFAEL MORAES MOURA, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 Maio 2012 | 03h04

O Ministério da Educação (MEC) decidiu alterar a forma de correção da redação do próximo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcado para 3 e 4 de novembro. A discrepância máxima entre as notas dadas pelos dois corretores cairá dos atuais 300 pontos para 200. Quando esse limite for ultrapassado, um terceiro corretor analisará a redação. Segundo o Estado apurou, nos casos em que nem um terceiro corretor conseguir chegar a um consenso com os outros dois, a prova será submetida a uma banca examinadora, que dará a nota final.

O anúncio dessas e de outras mudanças será feito hoje em coletiva de imprensa pelo ministro Aloizio Mercadante e o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Luiz Cláudio Costa. Desta vez, o edital do processo contemplará um único exame, e não vários.

Na última edição do Enem, o Inep foi confrontado com processos judiciais de candidatos que criticaram as notas finais. Foi o caso de uma estudante carioca que recebeu três notas diferentes: 800 (do primeiro corretor), 0 (do segundo) e 440 (do terceiro). A mudança na forma de correção deverá aumentar o número de redações revisadas e exigir melhor treinamento.

Em entrevista ao Estado logo após assumir o cargo, Mercadante já havia defendido uma nova forma de corrigir as redações. "Precisamos aprimorar o critério, pois sempre há componente subjetivo", disse na ocasião.

O pedido de vista da redação do último Enem virou motivo de uma intensa batalha judicial, até o Tribunal Regional Federal da 5.ª Região (TRF-5) suspender uma liminar que garantia o acesso às redações.

Um acordo firmado com o Ministério Público Federal (MPF) permitirá que os estudantes tenham acesso às redações corrigidas apenas para fins pedagógicos a partir deste ano.

O MEC previa inicialmente a realização de duas provas do Enem neste ano, mas acabou cancelando a edição prevista para 28 e 29 de abril.

Este será o primeiro Enem sob a batuta de Mercadante, que recebeu da presidente Dilma Rousseff dois pedidos antes mesmo de assumir o cargo: solucionar os problemas do Enem e deslanchar o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

Em 2009, o Estado revelou o vazamento da prova do Enem; em 2010, o cabeçalho foi trocado no cartão-resposta e algumas provas tiveram erros de encadernação; no ano passado, estudantes de um colégio particular de Fortaleza receberam antecipadamente algumas questões da prova, que depois foram anuladas.

Greve. Mercadante criticou ontem o movimento grevista de professores das universidades federais, que entrou no seu sexto dia. O ministro afirmou ter "muitas greves nas costas", mas disse não ver razão para a deflagração de movimento se negociações estão em aberto.

A paralisação atinge 41 universidades federais e 2 institutos de ensino superior. Na terça, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aderiram ao movimento.

"As discussões são uma ficção. O que eles estão fazendo é cozinhar o galo", afirmou Argus de Almeida, do Sindicato Nacional dos Docentes de Institutos de Ensino Superior. / COLABOROU SÉRGIO POMPEU E LÍGIA FORMENTI

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