Milão é uma festa

Ao completar 50 anos, o Salão do Móvel, que apresenta seus lançamentos em abril, revisita o passado para antever o futuro

Marcelo Lima, ANTENA,

27 de fevereiro de 2011 | 16h00

Não se trata de frase de efeito. Nem de um irônico jogo de palavras. “50 anos e jovem”, o slogan do Salão do Móvel de Milão 2011, sinaliza a firme disposição de seus organizadores de fazer do cinquentenário da mostra não apenas uma celebração, mas uma aposta no futuro.

Aguardada com expectativa, a edição 50 da maior exposição de design e decoração do mundo, que no ano passado recebeu 300 mil visitantes - sendo 4 mil brasileiros -, promete mesmo grandes surpresas. Sobretudo no que se refere a seus eventos paralelos, uma marca registrada do evento.

“Inovação é a palavra que melhor traduz a ideia que temos de design. Coincidentemente, tem sido ao longo dos anos nosso maior objetivo”, afirmou Carlo Guglielmi, presidente do Comitato Organizzatore del Salone del Mobile Italiano (Cosmit), durante conferência em Milão, no início deste mês, reunindo jornalistas de todo o mundo.

De certo - e previsível - os lançamentos do Salão do Móvel, da Euroluce, exposição bienal de iluminação que este ano retorna ao calendário, e do jovem Salão Satélite, sob curadoria de Marva Griffin, prometem agitar os pavilhões de exposição de Rho-Pero: uma monumental construção de aço, vidro e concreto, que leva a assinatura do austríaco radicado na Itália Massimiliano Fuksas.

Tudo o mais permanece, literalmente, envolto em brumas. “Vamos recriar um antigo bosque e, em meio a luz e neblina, restaurar a sacralidade das árvores”, adianta Attilio Stocchi, cenógrafo de Cuore Bosco (bosque do coração), projeto em vias de instalação na Piazza San Fedele, a poucos passos do célebre Teatro Alla Scala.

Em um projeto abrangente, a cidade terá outros locais históricos revisitados. Além da Triennale de Milano, que inaugura no dia 5 de abril a exposição Fábricas de Sonhos, comemorativa do cinquentenário do Salão do Móvel, sob a curadoria de Alberto Alessi, a Piazza Duomo será palco de outra ousada proposta.

“A ideia é mostrar, em oito salas, como a ciência pode ser manipulada por artistas e mentes criativas para a obtenção de obras e atmosferas únicas. Queremos discutir até onde podemos ir”, diz Denis Santachiara, curador de Principia, exposição que abre suas portas para o público no dia 12 de abril.

Vanguarda. Componente indissociável de um bem articulado sistema que colocou a Itália na vanguarda do design internacional, o Salão do Móvel nasceu da conjugação de dois fatores: uma elite empresarial atenta e uma brilhante geração de arquitetos, que via na indústria a possibilidade de exercer seu pensamento e reflexões.

Não por acaso, são eles os nomes que criaram o design italiano no pós-guerra - Castiglioni, Magistretti, Sottsass e Viganò, frente a frente com empresários como Cassina, Castelli e Bitossi - e servem de inspiração para a montagem de Mani Grande, Senza Fine, monólogo interpretado por Laura Curino, produzido pelo Piccolo Teatro di Milano, sob patrocínio do Cosmit.

“O que se convencionou chamar design deve-se muito ao que foi produzido naquele período. Com eles aprendemos que o produto made in Italy, carrega todo o nosso viver, a nossa forma de ver o mundo. Isso é muito mais complexo. E merece não só esta peça, mas todos os nossos aplausos”, afirma Guglielmi, É esperar para ver.

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