Milhares cruzam lagoa para fugir de guerra no Sri Lanka

Milhares de civis acuados por rebeldes atravessaram uma lagoa para fugir da zona de guerra do Sri Lanka, onde forças do governo cercaram os separatistas tâmeis no que parece ser a batalha final em um conflito de 25 anos, disseram militares e uma fonte da ONU.

C. BRYSON HULL E RANGA SIRILAL, REUTERS

14 de maio de 2009 | 17h20

Os militares disseram que imagens aéreas confirmaram o êxodo de cerca de 5.000 pessoas de uma pequena faixa de areia, onde segundo os EUA a guerrilha Tigres da Libertação do Tâmil Eelam (TLTE) mantém milhares de pessoas à força.

O governo do Sri Lanka e o TLTE rejeitaram na quinta-feira os apelos da ONU e dos EUA para proteger civis, única proteção da guerrilha para evitar um ataque total dos militares.

"Até agora, 2.000 civis já cruzaram a lagoa. Há um grande número de pessoas cruzando, e (os rebeldes) atiraram. Quatro pessoas morreram, 14 ficaram feridas", disse o porta-voz dos militares, general Udaya Nanayakkara.

Ao anoitecer havia 2.700 pessoas liberadas, e pelo menos outras 1.000 esperavam, embora a escuridão dificultasse as avaliações, segundo ele.

Antes, o representante interino da ONU no país asiático, Amin Awad, disse à Reuters que fontes locais na zona de combate disseram que até 6.000 pessoas fugiram ou estariam tentando fazê-lo, mas que os rebeldes atiravam nos civis.

A Força Aérea informou que helicópteros resgataram 12 civis da área.

Por causa dos ataques rebeldes, os médicos abandonaram o único hospital que restava na zona de guerra, com 2.000 pacientes.

Na quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU e o presidente dos EUA, Barack Obama, pediram ao TLTE que se renda e liberte seus dezenas de milhares de reféns, e aos militares que parem de atirar nas pessoas e evitem o uso de armas pesadas.

A Cruz Vermelha disse na quinta-feira que pelo terceiro dia consecutivo foi impedida de levar mantimentos médicos e retirar feridos da zona de combates.

(Reportagem adicional de Shihar Aneez)

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