Multidão protesta na Argentina por reaparecimento de testemunha

Pedreiro que depôs em processo sobre a ditadura está sumido há um ano.

Marcia Carmo, BBC

19 de setembro de 2007 | 11h40

Milhares de manifestantes argentinos foram às ruas de diferentes cidades do país nesta terça-feira para pedir o "aparecimento com vida" do pedreiro Jorge Julio López, de 77 anos, que desapareceu há exatamente um ano. López é vítima da ditadura (1976-1983) e testemunhou, no ano passado, no processo contra o ex-delegado da polícia de Buenos Aires Miguel Etchecolatz. Seu depoimento foi considerado "decisivo" pela Justiça para definir a condenação e prisão perpétua de Etchecolatz, acusado de "crimes de lesa humanidade, por genocídio". No tribunal, López contou, diante das câmeras de televisão, como foi torturado num dos centros da ditadura controlados por Etchecolatz, que funcionavam num dos prédios da chamada "Polícia Bonaerense" (de Buenos Aires). Nesta terça-feira, diferentes entidades de direitos humanos e partidos políticos lideraram as manifestações, realizadas na capital do país, em La Plata, na província de Buenos Aires, onde ocorreu o julgamento, e ainda nas províncias de Córdoba e Santa Fé, entre outros pontos da Argentina. A família de López preferiu não participar dos protestos, no qual manifestantes ergueram fotos e cartazes do pedreiro."Eu queria poder acreditar que meu pai está vivo, mas já passou um ano e nada", disse um de seus filhos. Para a presidente da entidade "Mães da Praça de Maio", Hebe de Bonafini, a "ineficiência" da polícia é o que justifica a falta de resposta após um ano sem "vestígios" da vítima. "Esse é um fato terrível. Chama a atenção a ineficiência do governo para localizá-lo e a falta de trabalho sério para que se evitem situações como esta", disse o senador socialista Rubén Giustiniani, candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pela líder de oposição Elisa Carrió. O ministro do Interior, Aníbal Fernández, disse que o governo e as forças de segurança "não pararam um segundo sequer" na busca de López. O governo de Buenos Aires revelou que 549 pessoas já foram investigadas, entre policiais e militares da ativa e da reserva. Mas ainda não existem sinais de López. Neste período, o governo de Buenos Aires ofereceu recompensa em dinheiro por seu aparecimento e espalhou cartazes pelo país, mas López, como disse seu filho, "não voltou para casa". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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