Partidos não têm vez nas redes sociais

No dia seguinte ao anúncio da revogação do aumento das tarifas dos transportes em São Paulo, as redes sociais foram dominadas por dois temas referentes aos protestos: o incômodo com a presença de partidos políticos nas manifestações e quais devem ser as próximas bandeiras defendidas nas ruas.

EDISON VEIGA, Agência Estado

21 de junho de 2013 | 09h09

O humorista Helio de La Peña preferiu fazer piada com a presença de militantes do PT no meio das manifestações desta quinta-feira. "Petistas querem aderir às passeatas com o grito de guerra: ?Abaixo nós!?", escreveu, no Twitter. "Desconfiava que o PT estava sem rumo. Meia dúzia de petistas uniformizados hoje (20) no meio do protesto apartidário em São Paulo confirmam minha suspeita", afirmou o apresentador de TV Marcelo Tas, em sua conta no Twitter. "Indo para a (Avenida) Paulista agora. Gostaria de lembrar: é uma manifestação apartidária. É brasileira!!! Esqueçam partidos políticos", publicou a atriz e escritora Lúcia Verissimo.

Já o ilustrador, vlogueiro e VJ da MTV PC Siqueira preferiu contemporizar. "Deveríamos permitir que partidos de direita e esquerda participassem da manifestação, sim. Do contrário, nós nos tornamos os fascistas", postou.

Muitos posts apontaram a necessidade de canalizar o movimento popular para outras questões, após a revogação do aumento das tarifas dos transportes. "Gente, a passagem do busão já abaixou. Agora vamos derrubar o (pastor e deputado federal Marco) Feliciano?", publicou o escritor e cineasta Alessandro Buzo.

"A gente quer um país melhor, não quer?", escreveu a cantora Luiza Possi. "Eu protesto em prol de 100% dos royalties do pré-sal para a Educação e estratégia nacional contra a violência", enumerou o cientista Miguel Nicolelis.

No Facebook, as timelines ficaram cheias de uma imagem com os "cinco motivos" do movimento - enfatizando não se tratar apenas das tarifas do transporte. De acordo com essa mensagem, a luta também é contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 37, pela saída de Renan Calheiros da presidência do Congresso, por uma investigação completa das irregularidades nas obras da Copa de 2014, para que a corrupção se torne crime hediondo e pelo fim do foro privilegiado.

Debates online

Desde o início das manifestações do Movimento Passe Livre (MPL) em São Paulo, as discussões ganharam a internet. Até as 19h30 desta quinta-feira, o compartilhamento de informações sobre o tema já havia impactado potencialmente 900 milhões de internautas, de acordo com monitoramento da empresa Scup.

"Acho que eles (os políticos) ainda não entenderam o que está acontecendo", disse o fotógrafo e militante Douglas Agostinho Teodoro, de 34 anos. "Eles são de uma geração analógica, e nossa revolução é digital. Eles não entenderam que a gente não precisa mais esperar quatro anos para dar nossa opinião nas urnas. A gente dá nossa opinião a hora que a gente quiser, na internet. O Brasil não funciona, mas o Facebook, sim."

"As redes sociais potencializam as manifestações, e isso é uma novidade no Brasil. Elas atuam tanto no sentido de acelerar as comunicações quanto na sua organização", analisa o cientista político Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida, professor da PUC-SP. "Agora, não tenhamos ilusões. Esses meios são de mão dupla, ou seja, não são necessariamente favoráveis a uma força política específica. Enquanto agora estão alimentando manifestações coletivas, em outras situações eles podem acabar servindo para multiplicar argumentos contrários e ajudar a sufocá-las." (Colaboraram Herton Escobar e Rodrigo Burgarelli)

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