Prioridade aos investimentos

O Brasil parece estar descobrindo que o crescimento econômico se mede não só pelo aumento do consumo, mas muito mais pelo volume dos investimentos produtivos. Três fatos podem indicar essa descoberta.

, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

O primeiro foi a divulgação pelo BNDES do resultado do Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Até agora os financiamentos da Finame, administradora do PSI, eram dirigidos essencialmente para a compra de ônibus e caminhões (60%), que na nomenclatura brasileira são considerados bens de capital. Mas, de julho para cá, 51,1% dos empréstimos do PSI foram para a compra de equipamentos que aumentam a capacidade de produção ou melhoram a produtividade das indústrias. São empréstimos a 4,5% (1,5% para o BNDES e 3% para o agente), custo bastante baixo, o que explica o sucesso.

O presidente do BNDES está em campanha para que o Brasil volte a dar prioridade aos investimentos, pois até agora o governo fundou sua política no consumo.

Segundo fato: no jantar anual da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, alertou os analistas do mercado financeiro de que estão revisando suas previsões sobre um crescimento além dos 5% em 2010. Ele está consciente de que a volta do crescimento econômico tem limites e depende da capacidade de poupança do País para financiar investimentos. De fato, os investimentos não podem depender apenas de importações num país que certamente vai enfrentar um déficit crescente das transações correntes do balanço de pagamentos.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, no mesmo evento - terceiro fato -, exortou os bancos a alongarem o prazo dos empréstimos para colaborarem com o BNDES nos financiamentos, o que naturalmente exige uma captação de recursos também com maior prazo. E anunciou que está estudando novas medidas, como a possibilidade de os bancos emitirem debêntures, o que hoje não podem fazer.

Os investimentos contribuem de uma maneira mais saudável para o aumento do consumo. Todavia, é preciso criar um clima favorável à expansão da poupança. Para os poupadores, uma condição essencial é a estabilidade dos preços, especialmente quando se pensa em poupança de longo prazo. Já para as empresas, uma redução da carga tributária é necessária para permitir maior disponibilidade de recursos para investir. Pelo menos é um progresso falar em investimentos.

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