Valets são presos por estelionato na cidade de SP

Carros abandonados em ruas e praças escuras, até sobre calçadas, sem nenhuma segurança. É por esse tipo de serviço que frequentadores de bares e restaurantes da Vila Madalena pagam entre R$ 15 e R$ 20 quando deixam as chaves de seus veículos nas mãos de manobristas. Uma operação inédita realizada pela Polícia Civil anteontem à noite escancarou as irregularidades praticadas pelos valets. Oito foram detidos em flagrante por estelionato - um dos supostos profissionais não tinha nem carteira de habilitação.

MARCELO GODOY E WILLIAM CARDOSO, Agência Estado

08 de outubro de 2011 | 10h17

O trabalho prévio realizado pelo Departamento de Investigação e Registros Diversos (Dird), comandado pelo delegado Aldo Galiano Junior, durou um mês, com filmagens e policiais infiltrados, identificando empresas que atuavam de forma irregular especificamente na Rua Aspicuelta, uma das principais do bairro.

A operação realizada anteontem contou com 65 policiais e 20 viaturas, que tomaram a Vila Madalena no fim da noite e deixaram o local apenas no início da madrugada.

A chegada da polícia causou surpresa entre frequentadores de bares, principalmente donos dos veículos que estavam sob a responsabilidade dos valets. Eles foram convidados pelos policiais a procurar seus carros e ficaram espantados quando viram que o serviço que contrataram não era cumprido adequadamente. Em um dos locais vistoriados pela polícia, as chaves ficavam jogadas sobre um muro, cobertas por folhagens.

Segundo o delegado Osvaldo Gonçalves, responsável pela Delegacia de Atendimento ao Turista (Deatur), os valets foram autuados no artigo 171 do Código Penal (de 1 a 5 anos de prisão, mais multa) porque prometiam algo que não era cumprido. "Emitem recibo, dizem que têm seguro, mas estacionam na rua. Transformam a via em empresa privada e ameaçam os moradores. Vira terra de ninguém."

Gonçalves explica também que apenas oito foram detidos porque o trabalho foi feito por amostragem. "É tanta gente que não haveria estrutura para autuar todo mundo", diz. Durante a ação, também foi encontrada uma pessoa procurada pela Justiça pelo não pagamento de pensão alimentícia. E uma cliente foi detida por desacato.

A polícia descobriu também que os valets loteavam as ruas e identificavam o local onde deixavam os carros por códigos. O setor próximo da Praça Senador Lineu Prestes, por exemplo, era conhecido como a "área B".

Em um segundo momento, a polícia deverá responsabilizar bares que, eventualmente, se beneficiam e permitem valets irregulares. A polícia pretende também realizar operações em outras regiões da cidade. A Delegacia de Crimes de Trânsito (DCT), vinculada ao Dird, também participou da ação. Na noite de ontem, duas pessoas ainda permaneciam detidas.

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