Venezuela não reconhece independência de Kosovo

Chávez diz que independência é fruto de pressão dos EUA e abre precedente perigoso.

Claudia Jardim, BBC

21 Fevereiro 2008 | 21h50

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse nesta quinta-feira que seu governo não reconhece a independência de Kosovo, proclamada no domingo, por considerar que é fruto das pressões dos Estados Unidos na região dos Bálcãs. Chávez também criticou os países europeus que apoiaram a decisão. "Eu anuncio a posição do nosso governo (...). Nós não reconhecemos essa independência entre aspas de Kosovo, não a reconhecemos, protestamos contra isso", disse Chávez, durante uma reunião ministerial transmitida em cadeia nacional. "Isso é parte da pressão dos EUA. Eu não sei como há países na Europa que aceitam isso", afirmou. Chávez disse que a independência de Kosovo, que era uma província da Sérvia, abre um precedente perigoso. "Isso (a independência) não se pode aceitar, é um precedente extremamente perigoso para o mundo inteiro e pode ser, além disso, o começo de não sei quantas guerras", disse. O presidente venezuelano segue a linha de seus principais aliados comerciais, Rússia e China, e da Espanha, um dos países da União Européia que rejeitaram o anúncio unilateral de independência emitido pelo parlamento kosovar no último domingo.Chávez, que há dois anos acusou as Nações Unidas de gerenciar os interesses norte-americanos, voltou a acusar o organismo de "prestar-se a fazer o jogo dos EUA"."As Nações Unidas não se dão conta de que devem ser um organismo para cuidar da paz? Isso pode terminar em outro desastre lá na Sérvia", disse. Mais cedo, nesta quinta-feira, centenas de manifestantes invadiram a embaixada dos Estados Unidos em Belgrado, capital da Sérvia, e incendiaram parte do prédio, em protesto contra o apoio norte-americano à independência de Kosovo. O presidente venezuelano fez um chamado às Nações Unidas e aos países da União Européia para que voltem atrás na decisão de legitimar a independência de Kosovo e que busquem caminhos para um diálogo político.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.