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Opinião|O avanço dos investimentos de impacto na América Latina

No Fórum Latino-Americano de Investimentos de Impacto, a delegação brasileira destacou os avanços do blended finance e a criação da Enimpacto (Estratégia Nacional de Economia de Impacto)

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Na América Latina, o ecossistema de impacto está avançando e tem conquistado robustez, de acordo com o Fórum Latino-Americano de Investimentos de Impacto (FII). Realizado recentemente no México, na cidade de Mérida, o evento discutiu os desafios e as oportunidades para o avanço da pauta na perspectiva de volume de capital e de negócios investidos; do aumento de investidores (instituições, fundos); das modalidades de ativos; e do envolvimento tanto de entidades públicas quanto de grandes empresas. O Brasil foi um dos destaques da convenção com uma comitiva composta por mais de 10 líderes do campo.

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A última pesquisa Global Impact Investing Network (GIIN) ampara essa percepção do Fórum de crescimento contínuo ao demostrar que, entre 2017 e 2022, os investimentos na América Latina e no Caribe aumentaram 21%. Essa marca representa um crescimento maior nos mercados emergentes. No horizonte dos próximos cinco anos, o levantamento aponta que 48% dos investidores têm planos de permanecer com os aportes de capital na região.

Entre os insights trazidos pela análise, a constatação de que a indústria do investimento de impacto permanece diversificada; as alocações de investidores para estratégias de impacto aumentaram com um crescimento significativo nos mercados públicos, refletindo tendências globais mais amplas; o capital flui cada vez mais dos alocadores de ativos para os gestores – especialmente os fundos de pensões e das companhias de seguros –; e os investidores de impacto tornaram-se mais sofisticados em suas abordagens de medição e gestão de impacto.

Deleção brasileira no Fórum Latino-Americano de Investimentos de Impacto. Foto: Divulgação/Aliança pelo Impacto

Em sua participação no FIIS, a comitiva brasileira – liderada pela Aliança pelo Impacto – destacou a criação da Enimpacto (Estratégia Nacional de Economia de Impacto). Um outro tema foi o pioneirismo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na estruturação do Laboratório de Inovação Financeira (LAB), que tem foco em promover as finanças sustentáveis no país. Entre as temáticas debatidas no Fórum, sobretudo pelos participantes brasileiros, gostaria de destacar as discussões sobre os mecanismos financeiros como o blended finance – apontado pela Aliança, inclusive, como um dos cinco postos-chave que emergiram do evento.

Conhecido como financiamento misto, essa é uma modalidade que une recursos públicos, de fomento ou filantrópicos, ao capital privado. No cerne do objetivo está o financiamento de iniciativas de impacto social e ambiental positivo – ou, ainda, de desenvolvimento econômico. As estruturas híbridas de financiamento podem combinar instrumentos diversos como capital subordinado (dívida, equity ou misto), garantias/seguros, doações (grants).

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O blended finance tem um importante papel no desafio de atingirmos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Para se ter uma ideia da importância dessa conexão, a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que os investimentos necessários para viabilizar os ODS estão na faixa entre cinco e sete trilhões de dólares anuais. Esses valores representariam de 1% a 2% do estoque de ativos financeiros mundiais – algo entre 6% e 8% do Produto Interno Bruto (PIB) global de 2019, de acordo com o Banco Mundial.

Com esse panorama e com o propósito de financiar o desenvolvimento de mercados e soluções financeiras alinhadas à Agenda 2030, as estruturas de blended finance adotam a premissa do uso estratégico de capital catalítico (filantrópico ou de fomento) para mitigar o risco dos projetos e atrair capital comercial público e privado.

Por fim, vale ressaltar que o protagonismo brasileiro acontece no momento em que o país ocupa, pela primeira vez, a presidência do G20 e se prepara para sediar a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30). Na prática, uma excelente oportunidade de alavancarmos a cooperação econômica mundial para criar condições financeiras focadas na transição para as economias mais verdes e socialmente justas, ou seja, instrumentalizar o combate às desigualdades sociais. Para os negócios de impacto social e ambiental, o panorama é promissor.

Opinião por Maure Pessanha

Coempreendedora e presidente do Conselho da Artemisia, organização pioneira no Brasil no fomento e na disseminação de negócios de impacto social e ambiental

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