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Energia solar? Economia prateada? Franquias que podem bombar em 2023, segundo jurado do Shark Tank

Dono de um dos principais grupos de franchising do Brasil, empresário afirma que esses setores têm chamado bastante atenção no mercado neste momento de maior instabilidade do País, com juros e inflação em alta

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Por Felipe Siqueira
Atualização:
Foto: Guido Ferreira/Estadão
Entrevista comJosé Carlos Semenzato Fundador e presidente do conselho da SMZTO

Quando se fala em empreendedorismo, a primeira imagem que vem à mente são de pessoas que tiveram sucesso ao criar uma empresa, ideia ou conceito. Ou seja, tirar uma ideia da “cartola”. Mas essa está longe de ser a única opção para quem pretende começar a exercer o lado empreendedor, de acordo com o presidente do conselho e fundador da empresa especializada em franquias SMZTO, José Carlos Semenzato.

No portfólio de franchising, a SMZTO tem empresas como Oakberry, Espaçolaser, Instituto Embelleze, entre muitas outras. O executivo afirma que, em momentos de incertezas econômicas, o ramo de franquias pode oferecer mais segurança para quem quer ingressar no universo de PMEs. No contexto atual, o País está com a Selic, taxa básica de juros, em 13,75% ao ano, e inflação dos últimos 12 meses, em 5,77% - o teto da meta do Banco Central para o índice de preços para este ano é de 4,75%.

“Quando falamos de franquias, estamos falando de um negócio previamente testado, que já foi operado por vários franqueados e, em especial, pelo próprio franqueador, que já experimentou esse negócio, formatou, adequou o produto ou serviço às necessidades do consumidor”, explica.

Presidente do conselho e fundador da especializada em franquias SMZTO, José Carlos Semenzato. Foto: Guido Ferreira

Semenzato também aponta as possíveis chances de sucesso de quem opta por franquias. E deixa claro que, mesmo com a segurança maior, o risco de um produto ou marca ter dificuldades existe, principalmente se a dedicação do franqueado que adquiriu o direito de utilizar aquele nome não for compatível com o mercado.

“Nas franquias consagradas, digo que a chance de sucesso chega a 75%. ‘Ah, mas ainda tem 25% de risco?’. Tem, porque o franqueado tem de fazer a parte dele: se dedicar a explorar e a entender os manuais operacionais, fazer todos os treinamentos que o franqueador oferece e estar presente na maioria dos negócios”, ressalta. A seguir, os principais trechos da entrevista ao Estadão:

Por que é mais arriscado começar um empreendimento do “zero”?

Temos duas variáveis: tempo e dinheiro. Se você ficar dois, três anos pesquisando, cavando, tentando montar um negócio sozinho, talvez você nem encontre a solução. Quando você compra uma franquia você tem todas as áreas. Desde a montagem do negócio até os fornecedores. Tudo isso te dá a oportunidade de acertar mais, o que faz com que você rapidamente inaugure sua operação e comece a trazer faturamento, gerando coeficiente positivo. No final das contas, comprar uma franquia é, proporcionalmente, até mais barato e muito mais eficiente do que empreender em uma carreira solo. Tem uma frase que tenho falado muito: as pessoas precisam aprender que empreender não significa criar um negócio do zero.

Como uma troca de governo pode influenciar novos negócios?

A primeira coisa é que, quando a gente tem um uma troca de comando no País, como tivemos agora, é natural que você tenha uma série de inseguranças. O novo sempre, de alguma forma, preocupa as pessoas. Mas confesso a você que neste tema (de franquias) a troca tem pouca influência. De qualquer forma, há prós e contras. Para as classes C, D e E, naturalmente, se houver uma irrigação de recursos, importante nesse público, é possível ficar mais confiante. A grande massa, tendo mais dinheiro, obviamente, compra mais. Temos um ciclo virtuoso nos negócios. O aspecto negativo fica por conta da taxa de juros, que está alta. Juros altos significam menos oportunidades para investir e menos negócios nascendo, em razão do custo do dinheiro.

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Pensando em 2023, quais são as áreas que estão em destaque para franquias?

Podemos pensar em 3 setores que vêm chamando atenção. O primeiro é o de geração de energia, solar principalmente. Uma energia alternativa que a gente avalia que tem um potencial de crescimento, regulado, que vimos um avanço gigante nos últimos anos, com expectativas positivas para o futuro. Em contrapartida, requer muitos cuidados na entrada, porque não há garantias de estabilidade. O segundo é a chamada economia circular. Aqui estamos falando da cultura de compras de “segunda mão”: roupas, móveis, brinquedos, material esportivo, entre outros. A prática (além de preços mais acessíveis) abre portas à reciclagem, ajudando o meio ambiente. O terceiro é a economia prateada. Com a população envelhecendo, as pessoas na terceira idade terão problemas para serem resolvidos. Seja porque não tem mobilidade, seja porque tem alguma comorbidade importante, por motivos pós-cirúrgicos, entre outros.

Quais os papéis da franquia e do franqueado na relação dos empreendedores?

Não é porque é uma franquia que você tem de confiar cegamente que o sucesso vem inevitavelmente e ter a certeza que você vai dar certo. A franqueadora costuma oferecer uma prévia de perfil de colaboradores, manuais operacionais, de marketing e operação do dia a dia. A conta que eu faço costuma ser na seguinte linha: 75% de garantia de sucesso, sendo que o principal cuidado que você precisa ter é se informar. Você vai ser cobrado, tem de ter muito cuidado com a qualidade, fazer uma gestão sempre muito forte, para você obter os melhores resultados. “Ah, mas ainda tem 25% de risco?”. Tem, porque o franqueado tem de fazer a parte dele: minimamente se dedicar a explorar e a entender os manuais operacionais, fazer todos os treinamentos que o franqueador oferece e precisa estar presente na maioria dos negócios.

Quais são as principais dicas para uma franquia dar certo?

O principal cuidado que você precisa ter ao comprar uma franquia é não comprar uma franquia sem antes falar com pelo menos 10 ou 15 franqueados daquela rede. É ligar para o franqueado que já existe. E, se possível, visitar uma loja, passar um dia dentro de uma operação. Tudo isso para ver se você realmente se enquadra, se adequa ao negócio. Tem de se perguntar: Eu gosto do cheiro da batata? A recepção está cheia? As pessoas estão chegando para serem atendidas (e estão sendo atendidas)? É se atentar a essa relação entre o consumidor e empresa. É muito importante você ver na loja, para clarificar aquilo que você vai fazer no dia a dia, porque, depois que você comprou uma franquia, você vai viver uns cinco ou dez anos com aquilo.

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