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Ele limpava túmulos quando era criança e hoje é dono do maior e-commerce de flores do País

Giuliana Flores fez cerca de 850 mil entregas em 2023 e atende todo o País, entregando flores e outros itens como chocolates, joias e tábuas de frios

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Foto do author João Scheller
Por João Scheller

O empresário Clóvis Souza, 53, trabalha com flores desde muito cedo. Com cerca de oito anos, antes das datas festivas como Finados e Dia das Mães, limpava e organizava túmulos do cemitério do Brás, que ficava próximo de sua casa, para ganhar alguns trocados das famílias que visitavam o local. Começou a trabalhar em lojas de flores e logo depois dos 18 anos abriu a própria empresa, que começou como uma pequena floricultura e se tornou o maior e-commerce de flores do País.

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“Nunca trabalhei com outra coisa”, afirma Souza, em meio ao escritório da Giuliana Flores, que há mais de 30 anos ocupa o mesmo endereço, em São Caetano do Sul (SP), na Grande São Paulo. De lá, partem encomendas de flores para todo o Brasil, além de diferentes tipos de presente, que vão desde chocolates e pelúcias até joias e tábuas de frios.

A variedade de produtos ofertados foi uma resposta à demanda dos clientes, que buscavam as flores para presentear e procuravam alternativas para complementar os presentes. Hoje, a companhia oferece produtos com empresas parceiras, tornando-se um verdadeiro marketplace de presenteáveis.

Clóvis Souza, fundador e CEO da Giuliana Flores, trabalhou em diferentes floriculturas na adolescência antes de criar a própria empresa em 1990 Foto: Alex Silva/Estadão

São 300 empresas que anunciam no site da companhia, além de 800 floriculturas parceiras, que permitem que a Giuliana Flores ofereça prazos de entrega tão curtos quanto 90 minutos, mesmo em cidades a centenas de quilômetros do centro de distribuição da companhia, em São Paulo.

A companhia é considerada o maior e-commerce de presentes e flores do País, segundo dados da agência de SEO Conversion, de fevereiro deste ano, com mais de 560 mil visitas mensais.

Esse crescimento só foi possível por conta da insistência de Souza em ouvir seus clientes e tentar buscar alternativas para melhorar a experiência da empresa. “Se um cara pega o telefone para falar que a flor que ele comprou murchou rápido, ele se torna um baita consultor para mim. Eu tenho que olhar para essa pessoa”, afirma.

Em 2023, a empresa realizou cerca de 850 mil entregas e agora busca expandir suas operações com grandes lojas próprias, que funcionam como uma vitrine da marca e também como ponto de distribuição para atender as entregas pelo site.

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Atualmente, são cinco lojas e mais oito quiosques, todos na Grande São Paulo, com expectativa de abrir mais quatro lojas até o final deste ano. A empresa não revela seu faturamento.

Giuliana Flores aposta na venda de flores e outros itens presenteáveis, como pelúcias, chocolates e joais  Foto: Alex Silva/Estadão

Empresa nasceu de sociedade com a ex-sogra

O início da Giuliana Flores guarda algumas curiosidades. Quando teve a oportunidade de alugar o ponto onde a floricultura se localiza, Clóvis Souza não tinha capital suficiente para investir no próprio negócio. Até então, fazia trabalhos autônomos com arranjos de flores para diferentes floriculturas da região.

Foi com a ajuda da sua então sogra, que se tornou sócia do negócio, que Souza conseguiu ter o capital necessário para começar as operações. Ele tocava o trabalho na loja com Giuliana, sua então namorada, que dá o nome para a empresa até hoje. “Eu estava tão focado em montar a loja, que fui no contador abrir a empresa e ainda não tinha o nome da companhia. Eu achava diferente e bonito o nome dela, porque era italiano e falei: pode ser Giuliana”, relembra.

A parceria com a mãe de Giuliana seguiu por mais dois anos. Com o fim do relacionamento, a ex-sogra vendeu sua parte da empresa para Souza, que se tornou o único proprietário à frente do negócio. Mesmo assim, o nome da companhia continuou o mesmo. Clóvis diz que isso não é motivo para qualquer problema com sua esposa hoje.

Marca expandiu buscando oportunidades na internet

Fundada em 1990, a Giuliana Flores buscou formas de expandir seu alcance e se tornar cada vez mais conhecida, para concorrer com outras floriculturas da região.

Nos primeiros anos, Souza tentou distribuir panfletos de divulgação, mas depois, com a internet, viu a opção de ter um catálogo aberto para uma quantidade grande de pessoas, sem os custos da divulgação off-line.

“E, então, com o site no ar, como eu faria para divulgar para as pessoas? Voltei para a gráfica e retomamos a panfletagem”, relembra, aos risos.

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Foi buscando o mesmo objetivo, que, alguns anos depois, Souza fechou uma parceria com o Bradesco, para integrar parte do clube de benefícios para os clientes dos cartões de crédito da instituição.

Além disso, passou a veicular anúncios da marca nos boletos de cobrança do banco, em busca de trazer maior credibilidade para a empresa.

Logo em seguida, emulou o movimento com outras instituições financeiras e passou a investir no crescimento da plataforma na internet.

Até 2005, o site da Giuliana Flores oferecia somente a opção de catálogo, com a efetivação da compra ocorrendo via telefone. Com o avanço das tecnologias de pagamento digital, o site passou a oferecer a modalidade.

Em 2010, a empresa começou a trabalhar com parceiros dentro de sua plataforma, num modelo embrionário do que conhecemos atualmente como marketplace.

Mesmo tendo um crescimento contínuo desde então, a marca viu um salto de vendas a partir da pandemia. Com o aumento das compras on-line, o site passou de 320 mil entregas feitas em 2019 para mais de 800 mil em 2020.

Desde então, os números têm crescido ano a ano, e a expectativa da empresa é atingir um total de 860 mil entregas em 2024.

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Empresa busca expansão também no off-line

O próximo passo para a Giuliana Flores é expandir sua presença no mundo off-line. Com grandes lojas, a companhia busca fortalecer sua marca, fornecer melhor logística para entregas próprias e, de quebra, ofertar uma melhor experiência de compra para seus clientes.

“Hoje se fala muito em experiência, é legal a pessoa ir à loja, saber que ela pode se sentir mais segura para comprar conosco”, afirma Souza.

O consultor de negócios Vitor Moura, sócio da consultoria WIV Gestão Financeira, destaca que o movimento está alinhado com uma lógica de mercado que vem sendo aplicada por outras empresas, buscando atender mais a necessidade dos clientes.

Segundo ele, é importante que a empresa pense para além dos produtos que vende, abrangendo os problemas que consegue resolver para seus clientes.

“É importante o empresário sair do operacional e enxergar o mercado como um todo”, avalia Moura, citando as diferentes transformações da Giuliana Flores, com a inclusão de parceiros no site e a expansão dos serviços de entrega em diferentes regiões do País.

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