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A CGU irá aderir, de vez, ao bolsonarismo?; leia análise

Órgão tem um corpo técnico tido em Brasília como sério, cuidadoso com suas atribuições legais; o problema do ministro é que, com frequência, ele age a serviço do presidente

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Por Sérgio Praça

É cada vez mais claro que o presidente Jair Bolsonaro (PL) tentará, de alguma maneira, melar o resultado das eleições caso perca. O apoio das Forças Armadas é incerto, embora o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, tenha subido o tom nos últimos dias em relação à lisura do processo organizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

CGU é comandada por Wagner Rosário, um burocrata tido como fiel a Bolsonaro Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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Outra instituição – a Controladoria-Geral da União – poderá ter um papel importante na defesa (ou não) do respeito ao resultado da votação. A CGU faz parte das organizações incluídas no processo de fiscalização das urnas pela Resolução 23.673 do TSE, editada em dezembro do ano passado.

Ela é comandada por Wagner Rosário, um burocrata tido como fiel a Bolsonaro. A indicação do representante da CGU na comissão do TSE é o momento-chave da gestão de Rosário. O tema é tratado internamente como tabu, “um assunto delicado demais”, nas palavras de um auditor que não quis se identificar.

É bastante provável que o indicado da CGU para atuar na comissão seja Gustavo Lopes Roriz, atual comandante da Diretoria de Auditoria de Governança e Gestão, ligada à Secretaria Federal de Controle Interno. Ele já ocupou cargos de confiança em diversas gestões e diferentes áreas da controladoria. É considerado competente pelos colegas.

A CGU tem um corpo técnico tido em Brasília como sério, cuidadoso com suas atribuições legais. Rosário tem se cercado de auditores experientes nos cargos de confiança mais altos. O problema do ministro é que, com frequência, ele age a serviço do presidente (como quando depôs na CPI da Covid, em 2021) e contra as atribuições de seu cargo.

O mesmo pode ser dito sobre Bruno Bianco, o advogado-geral da União. Sob seu comando desde agosto do ano passado, a AGU passou a sinalizar sinergia com o bolsonarismo. Atitude inédita, desnecessária e nada condizente com as atribuições da AGU.

Se Gustavo Roriz for mesmo nomeado pela CGU para a comissão do TSE, ele terá todos os incentivos institucionais para não ajudar o projeto bolsonarista de colocar as urnas eletrônicas (e o processo eleitoral como um todo) sob suspeita. Caso faça o contrário, manchará a reputação da CGU de modo irreversível.

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Professor e pesquisador da FGV/CPDOC

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