Notícias e artigos do mundo do Direito: a rotina da Polícia, Ministério Público e Tribunais

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De motoboy a dono de Ferrari: contador do PCC diz que fez mentoria com Marçal; ‘ostentação é tática’

Preso na Operação Narco Bet, Rodrigo de Paula Morgado negou em depoimento à Polícia Federal ligações com a facção e disse que patrimônio milionário é lícito, conquistado ‘pela força de vontade de querer aprender’

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Foto do autor Rayssa Motta
Foto do autor Fausto Macedo
Foto do autor Marcelo Godoy
Atualização:

Preso pela segunda vez nesta segunda-feira, 15, agora na Operação Narco Bet, e investigado por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), o contador Rodrigo de Paula Morgado vende uma história de vida de sucesso.

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Morgado afirma ter saído de motoboy a dono de um patrimônio milionário “pela força de vontade de querer aprender“. Teria desenvolvido o tino para os negócios em mentorias de coachs como Caio Carneiro e Pablo Marçal, segundo ele próprio. Nas redes sociais, onde exibe uma vida de luxo, destaca que “veio de baixo” e se apresenta como “louco e sonhador”.

Em depoimento prestado à Polícia Federal em outra investigação, a Operação Narco Vela, deflagrada em abril, Morgado disse que começou a carreira como entregador em um escritório de contabilidade. Foi então que teria tomado a decisão de fazer um curso técnico e depois uma graduação na área.

Os rendimentos declarados do contador passaram de R$ 295 mil em 2022 para R$ 7,9 milhões em 2023. A variação patrimonial é considerada suspeita pelos investigadores. O rastreamento promovido pela Polícia Federal indica que Morgado é dono de imóveis, carros de luxo, como uma Ferrari, e criptoativos. Tudo, segundo ele, comprado com faturamento lícito.

Rodrigo Morgado é dono da Quadri Contabilidade, em Santos, no litoral paulista Foto: Reprodução/Redes sociais

A ostentação, de acordo com o contador, é parte de uma estratégia de negócio para se “conectar a pessoas do mesmo nicho e patamar de atuação“. A versão foi corroborada por seu advogado: ”Para captar clientes, isso envolve também a ostentação nas redes sociais”.

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Morgado é apontado como “operador logístico-financeiro” de um amplo esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas do PCC. Ele foi inserido pela PF no “epicentro” dos crimes e descrito como “figura central e articulador financeiro do grupo”.

“Os elementos de prova colhidos ao longo da investigação demonstram que Rodrigo Morgado exerceu papel ativo na constituição e manutenção de empresas fictícias, formalmente vinculadas a laranjas ou pessoas sem qualquer capacidade econômico-financeira, mas em realidade controladas e operadas em favor da estrutura criminosa”, escreveu o delegado federal Raphael Soares Astini, Coordenação Geral de Repressão a Drogas, Armas e Facções Criminosas, ao pedir a prisão do contador.

“Os documentos analisados revelam que sua atuação não se restringia à mera contabilidade, mas alcançava a concepção e execução de mecanismos de ocultação de ativos, bem como a coordenação das transações vultosas que possibilitaram, entre outros, a aquisição do veleiro Lobo IV, interceptado em alto-mar (pela Marinha americana) em fevereiro de 2023 com mais de 3 toneladas de cocaína a bordo”, segue a PF.

O advogado Filipe Pires de Campos, que representa o contador, disse que ele nega categoricamente todas as acusações.

“Ressalta-se que ele possui milhares de documentos fiscais, contábeis e outros registros que comprovam o exercício regular e lícito de suas atividades profissionais, sem qualquer vínculo com o tráfico internacional de drogas“, diz a defesa (leia a íntegra da manifestação ao final da matéria).

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A investigação também afirma que ele agia como “verdadeiro ‘banco particular’ de outros investigados”, entre eles o influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, o Buzeira - com cerca de 13 milhões de seguidores -, que também foi preso nesta terça.

“Transacionando vultosos em suas contas pessoais e de empresas sob seu controle, realizando ainda conversões em criptomoedas e promovendo repasses a terceiros, tudo a margem do sistema financeiro nacional”, diz a Polícia Federal.

A defesa de Buzeira afirma que “não há, até o presente momento, qualquer elemento concreto que comprove envolvimento do influenciador em atividades ilícitas”.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO FILIPE PIRES DE CAMPOS, QUE REPRESENTA O CONTADOR

A defesa de Rodrigo Morgado, informa que seu cliente foi apresentado à audiência de custódia, ocasião em que foi formulado pedido de prisão domiciliar, considerando a situação familiar delicada, uma vez que dois de seus filhos apresentam problemas de saúde, sendo o mais novo, de apenas dez meses de idade, portador de condição grave, tendo inclusive sido internado em UTI recentemente.

Paralelamente, a defesa já impetrou habeas corpus perante o Tribunal Regional Federal, buscando a imediata revogação da prisão preventiva.

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O Sr. Rodrigo Morgado nega categoricamente todas as acusações que lhe foram imputadas. Ressalta-se que ele possui milhares de documentos fiscais, contábeis e outros registros que comprovam o exercício regular e lícito de suas atividades profissionais, sem qualquer vínculo com o tráfico internacional de drogas.

A defesa permanece confiante de que, com o avanço das investigações e a análise técnica do processo, a verdade será restabelecida e a inocência do Sr. Rodrigo Morgado reconhecida.

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