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Opinião|Corrida pela história

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Tenho visitado Washington com frequência. A capital dos EUA está no Distrito de Columbia, um pequeno enclave localizado entre os estados de Virginia e Maryland. Dentre vários lugares interessantes, está Georgetown, às margens do rio Potomac, com seus charmosos bares, restaurantes e os belos casarios em estilo victoriano.

National Mall Foto: Daniel Trielli/Estadão

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Destaco também a Embassy Row, originalmente conhecida como Millionaire Row, local onde os whashtonianos abastados do início do século 19 construíram os seus palacetes. Nos dias de hoje, aquelas mansões sediam boa parte das 177 embaixadas existentes em Washington. Dada a proeminência dos EUA no cenário político e econômico do planeta, Washington é considerada o posto mais importante da chancelaria mundial. Caminhado por aqueles quarteirões se vê todas as bandeiras do mundo.

Mas, o meu local preferido em Washington é o National Mall, um imenso parque bem no centro da cidade. São 325 hectares, o equivalente a quase 500 campos de futebol. Nas adjacências do parque estão nada menos do que o Capitólio, a Casa Branca, a Suprema Corte, além de muitos museus e enormes prédios do governo. O National Mall funciona como uma espécie de cérebro, coração e pulmão de Washington. O poder e a política da maior potência mundial pulsam no entorno do National Mall.

Gosto muito de correr por lá, especialmente à noite. Não tem nenhum perigo. Possivelmente, a região é das mais seguras do planeta. É bonito de ver os monumentos e memoriais iluminados e o skyline da cidade. A sensação é de se estar dentro do famoso seriado House of Cards.

O meu percurso inicia, invariavelmente, para o leste. Corro em direção ao Lincoln Memorial, uma suntuosa construção de mármore, que mais parece um templo, numa mistura de estilos neoclássico e grego. O local está sempre cheio de turistas. A monumental escultura e a expressão de Abraham Lincoln sentado na sua cadeira, impressionam os visitantes.

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A partir daí, o trajeto passa pelos memoriais das Guerras do Vietnã, da Coréia, e da Segunda Guerra Mundial. Outros dois presidentes, Franklin Delano Roosevelt e Thomas Jeferson também são homenageados com memoriais imponentes. O mais novo monumento construído no parque homenageia Martin Luther King e a sua luta pela liberdade, igualdade e justiça.

O Washington Monument, obeslisco com 170 metros de altura marca o ponto central do parque e pode ser visto de qualquer ponto da cidade. É uma homenagem a outro presidente ilustre: George Washington. Já a Memorial Island, a minha mais recente descoberta durante as corridas, fica no meio de um lago artificial. Lá se encontram 56 pedras de granito justapostas, cada uma com a assinatura incrustada de um dos 56 homens que assinaram a declaração de independência dos Estados Unidos, em 1776.

Chegando no extremo oeste do parque, circundo o Capitólio, sede do congresso americano. A beleza do seu Domo é impactante, especialmente iluminado à noite. A imagem do Domo é a marca registrada, o cartão postal da cidade. Logo atrás do Capitólio está a sede da Suprema Corte dos Estados Unidos. O meu trajeto passa exatamente entre estes dois prédios, o Capitólio e a Suprema Corte, os bastiões da democracia americana.

Enfim, já tive o privilégio de correr no Hyde Park, em Londres; no Parc de las Tuileries, em Paris; no Central Park, em Nova Iorque; no Parque Ibirapuera, em São Paulo; dentre muitos outros. Definitivamente, todos tem os seus encancantos e belezas. Porém, o National Mall é único, um verdadeiro memorial a céu aberto. Um tributo à liberdade e à democracia. Percorrer o National Mall é percorrer a história americana.

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Fernando Goldsztein
Fundador do The Medulloblastoma Initiative. Membro do Conselho da Childrens National Foundation
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