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Opinião|Demência à espreita

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Enquanto o Alzheimer se populariza e chama a atenção de muitos, a demência também existe e é mais discreta. Ela chega para quase dois milhões de brasileiros a cada ano. Mas é possível preveni-la.

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Estudiosos analisaram todos os casos, em confiável amostragem e viram que há doze passos que reduziriam à metade a ocorrência.

O primeiro é o investimento em educação e estimulação cognitiva a partir da meia-idade. O conceito generalizado é que, após obter a educação formal, já não seja necessário prosseguir. Engano. A educação intensifica a capacidade cognitiva e manter atividades cognitivas na meia-idade garante melhor funcionamento do cérebro na velhice. Viajar, ter contato com música e outros tipos de arte, praticar jardinagem e outras práticas, ler e falar um segundo idioma. Ser intelectualmente desafiado é um exercício muito saudável.

O segundo é manter a pressão arterial sob controle. A hipertensão persistente está associada ao aumento de risco de demência. Vida saudável, alimentação equilibrada, exercícios físicos e vedação ao fumo são essenciais. Moderar o uso do sal e medir a pressão com frequência.

Em terceiro lugar, proteger a audição. O risco de demência aumenta a cada dez decibéis de piora no comprometimento auditivo. Algo que também tem a ver com o nível de ruído da vida contemporânea.

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Evitar lesões cerebrais está em quarto lugar. Acidentes de carro, moto e bicicleta, quedas e práticas de esportes com algo grau de perigo, aumentam a possibilidade de pancadas na cabeça e prejuízos ao cérebro. Os exercícios marcados por impacto cerebral frequente podem conduzir à demência. Tanto assim, que a International Football Association Board – IFAB, que é o órgão regulador do futebol, proíbe jogadores menores de doze anos de cabecearem bolas durante os treinos e partidas.

A prática de exercícios está num honroso quinto lugar nessa escala de fatores conducentes a prevenir a demência. Os padrões de atividade física naturalmente mudam com a idade. Mas todos reconhecem, na ciência que se devota aos estudos sobre a longevidade e a saúde mental, que os exercícios físicos são benéficos para a cabeça.

Inatividade física depois dos sessenta e cinco anos é o quinto fator mais relevante para o desenvolvimento da demência. A OMS – Organização Mundial da Saúde, recomenda pelo menos de 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada por semana para todos os adultos.

A diabete é outra causa demencial. A diabete do tipo 2, aquela em que o hormônio insulina não caminha corretamente, faz com que um excesso de glicose permaneça em circulação. Isso aumenta uma série de problemas, dentre os quais a demência. A diabete é insidiosa. Muita gente é diabética e não sabe. é preciso manter peso considerado saudável, porque ela está associada à obesidade.

Um sétimo elemento a ser considerado é o consumo de álcool. O uso excessivo de álcool gera alterações cerebrais, comprometimento cognitivo e demência. Em oitavo lugar, manter peso saudável. Excesso de peso, além de causar obesidade, é o que propicia doenças cardiovasculares, distúrbios do sono, câncer e demência.

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Nem seria preciso falar em parar de fumar. Nunca é tarde para isso. o fumante deveria refletir sobre o mal que causa não só a ele, mas também aos que estão próximos. Suas pessoas queridas. Seus filhos. O fumante passivo também sofre deterioração da memória. Se isso não for um bom motivo para abandonar o vício, não sei o que comoveria os inveterados dependentes do fumo.

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O combate à depressão está em décimo lugar. Diversos mecanismos psicológicos e fisiológicos explicam a ligação entre depressão e risco maior de desenvolver demências. Investir em bons hábitos – alimentação saudável e exercícios – criar e manter vínculos sociais, limitar o uso de telas e fazer terapia.

Investir em contato social está em décimo primeiro. Manter relações sociais, evitar o isolamento é ferramenta poderosa para aumentar a reserva cognitiva e favorecer condutas benéficas. Para isso, priorizar exercícios físicos em grupo, realizar trabalho voluntário, inscrever-se em algum tipo de curso. Isso faz bem para o corpo e para o cérebro.

Finalmente, algo que diz respeito a todos: governo e sociedade civil. Evitar a exposição à poluição. Poluentes atmosféricos aceleram processos neurodegenerativos. Exigir cumprimento da legislação, combater o crescente uso de combustíveis fósseis, reclamar o plantio de mais árvores, a criação de mais parques e reservas verdes. Ou seja: exercer a cidadania ecológica ajuda você a não se tornar mais um demente, alguém que parece desistir de continuar a ter consciência no mundo cada vez mais agressivo, em virtude da insensibilidade e mesmo da crueldade com que o tratamos.

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José Renato Nalini
Reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e secretário executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo
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